waking life

"[...] e nas noites solitárias do meu eu, saio pra dançar salsa com a minha confusão."

louca e livre

Conheci a chuva e a tempestade, e por muito tempo almejei descobrir quem seria o vento.
O vento que eu tanto queria e precisava, e um dia, assim, no susto ao dobrar uma esquima me deparei com a verdade: - Eu sou vento.
Desde então a chuva e a tempestade se completaram em mim de maneira extraordinária. A chuva era chuva porque eu era mais calma, a tempestade era tempestade porque eu estava em fúria.
A chuva adquiria a intensidade que quisesse, mas tomava o rumo que eu sobrava. A tempestade era forte porque eu também o era.

Hoje sou vento, e isso me basta.
Estou no ar, mudando as pessoas.
As pessoas estão ao me redor, me dando forma.
"Tinha tanto medo de sair da cama à noite pro banheiro
Medo de saber que não estava ali sozinho porque sempre...
Sempre... sempre...
Eu estava com Deus!"

eu sinto tanto tanto tanto isso. sempre tem alguém a espreita.
sempre me sinto pesada na cama sem conseguir mexer, e o medo de abrir os olhos porque eu sei que tem alguém ali.

Canto para a minha Morte

"Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...

Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite..

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

te mastigo dentro de mim

"Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és..."

(Caio Fernando de Abreu)
Hoje merece um banho frio e um bom livro, como ha muito não faço.

"- Para onde vai?
Ulisses viu-o iluminado de azul pela lua.
- Para o mundo - respondeu"

(Gabriel Garcia Marquez)


Qualquer bobagem.

Chegue perto de mim
Não precisa falar
Acenda o meu cigarro,
Não queira me agradar
Queira, queira.

Não decida, nem pense
Não negue, nem se ofereça
Não queira se guardar
Não queira se mostrar
Queira, queira.

Escute esta canção
Ou qualquer bobagem
Ouça o coração, que mais?
Sei lá!

Lorena foi embora junto com o vento.
minha vida sempre foi um partir constante.
gosto das partidas e das saudades.
do frio na barriga sobre o que virá.

eu erro.

é preciso crer no futuro

não vamos, pois, perder o brilho nos olhos.

Carta à Helena

Há algo acontecendo e eu não posso supor o que é.
Os dias estão passando cada vez mais rápido.
A certeza de que há uma energia maior na qual personificamos como Deus é eminente.
Estamos presenciando algo importante.
Há tempos venho dizendo que há algo acontecendo e cada vez essa certeza é mais forte. A vida acontece por momentos estranhos, uma dor misturada com descoberta, tal qual o parto - estamos presenciando um estranho parto.
A sutileza efêmera da vida é cada vez mais certa.
Devemos estar preparados para morrer. Desapego as coisas físicas, pois o que realmente conta é inatingível fisicamente.
É preciso estar preparado para morrer, sem arrependimentos.
A vida é agora. Agora é o tempo de fazer as nossas vontades.
É preciso não se apegar a matéria física para ser livre,
Louca e livre, tal qual o vento.
prefiro as letras minúsculas.
Louca e livre.
Tal qual o vento.