"I’m good at being that guy that you find yourself spending more and more time with until you meet your husband."
ditado CCCX de uma geração em crise: "I know this isn’t gonna end well, but the whole middle part is going to be awesome.”
aos 24 comecei a cuidar da pele. mãos e rosto principalmente. uma noção especifica da juventude embarca. tenho que aproveitar as coisas da juventude agora que sou jovem, agora que o peso do tempo não pesa tanto. e o corpo ainda está em sua forma. mas me preocupo. como nunca antes, com a pele hidratada. a elasticidade que tem que ser atenta todos os dias. aos exercícios que torneiam. aos cremes que evitam rugas. as cervejas que podem, irresponsavelmente, serem tomadas no meio da semana. uma vontade de me fotografar. nua. em pelo auto-retratos para a eternidade. para que eu não me esqueça como fui. no auge dos meus 20 anos. guardo aquela nostalgia melancólica que das mulheres maduras ao olharem suas fotos da juventude. a percepção olha o agora de um tempo relapso distante. já tenho saudade dos meus vinte. já sinto o peso do tempo no corpo. corpo que só agora, tardiamente, comecei a conhecer, respeitar, acariciar, admirar e gostar.

corpo que cai.


do que eu gosto


pinto, 
coisas tortas
fotografia
livros

a hora
daí fomos feitos cigarros tragados. delicioso prazer mortal.
coração de paixões carnavalescas em fim de ano.
"[...] amar uma mulher sem orifício."
 "Marcos é gay em São Francisco, negro na África do Sul, asiático na Europa, hispânico em San Isidro, anarquista na Espanha, palestino em Israel, indígena nas ruas de San Cristóbal, roqueiro na cidade universitária, judeu na Alemanha, feminista nos partidos políticos, comunista no pós-guerra fria, pacifista na Bósnia, artista sem galeria e sem portfólio, dona de casa num sábado à tarde, jornalista nas páginas anteriores do jornal, mulher no metropolitano depois das 22h, camponês sem terra, editor marginal, operário sem trabalho, médico sem consultório, escritor sem livros e sem leitores e, sobretudo, zapatista no Sudoeste do México. Enfim, Marcos é um ser humano qualquer neste mundo. Marcos é todas as minorias intoleradas, oprimidas, resistindo, exploradas, dizendo ¡Ya basta! Todas as minorias na hora de falar e maiorias na hora de se calar e aguentar. Todos os intolerados buscando uma palavra, sua palavra. Tudo que incomoda o poder e as boas consciências, este é Marcos."
assustei com a campainha. como sempre. e logo escutei o barulho da chave girando na fechadura. a minha espera já tinha começado há mais tempo. logo quando nos encontramos pela primeira vez. a minha espera começou logo naquele dia. e logo naquele dia, silenciosamente, lhe dei a chave. mas antes era uma chave fictícia e simbólica. nem eu sabia que tinha dado. nem ele sabia que tinha recebido. a campainha tocada como num susto, sempre antes de abrir a fechadura. era um modo gracioso de pedir licença. embora não tenha pedido licença para entrar em minha vida. nem permissão. ou qualquer outra coisa. na vida, ao contrário da casa, já foi entrado, servindo café, ligando o som. na vida foi assim. entrando completo, sem pedir licença ou esperar uma recusa, veio fininho, mansinho e espaçoso. e ligou o som. embalando o que éramos em canções. entrou na casa e no coração feito sol da manhã, beijando docemente quem eu ainda me construía. depois parou de abrir a fechadura e também parou de tocar a campainha. deu adeus à casa e ao coração. devolveu a chave e nunca mais trancou ou abriu a porta.


foi caminhando mais a frente distraidamente com pressa. como se tivesse medo que o sol voltasse, e assim, apressava o passo para aproveitar melhor o passeio. o dia estava para ela. assim, cedo, vazio, nublado. como há muito em sua vida. andava distraidamente. segurando os chinelos na mãos, e nos pés a areia molhada. a cada onda, deixava um sentimento ir embora. caminhava a frente com pressa, por que sentia uma necessidade de caranguejo. agilizar o que estava por vir. me disse: 'a vida começa aos cinquenta'. deu um sorriso, e foi caminhando, aproveitando o passeio que agora era só dela. não queria companhia em seu caminhar. há muito vivera em função dos outros. filhos, marido, emprego. 'a vida começa aos cinquenta'. aposentada. filhos criado. marido criado também. agora podia, enfim, caminhar a frente com os pés molhados na praia que era só dela. afinal, 'a vida começa aos cinquenta'.


coloca o seu chapéu. assim, bem tampando a cara. bem em frente ao teu rosto que é para eu me esquecer dos seus traços. ficar apenas com os traços da memória, que se traem, se inventam. isso, tampa o rosto. apaga esse rosto. que quero ficar apenas com a memória. os segredos que sei. as linhas do seu rosto, as rugas. as pintas. que invento. tampa esse rosto sem memória. que é essa a foto que quero colocar no meu porta retratos. como se, entre seu rosto e o chapéu, assim como você mantém, escondendo o rosto, fica guardado o segredo dos seus olhos. fica guardado o silêncio que nos mantém. guarde assim o seu rosto. que é assim que te guardo. na memória. que é assim que quero este retrato. o segredo do que se tem além do chapéu. o segredos que já fomos nós, e não mais seremos. guardo na memória o seu rosto. guardo na memória o meu rosto. guardo. no fundo da memória. atrás do chapéu, que é para não me tirar o foco do agora.



(ps. a poética dos textos é serem fictícios. parei um tempo de escrever, por que confundiam a ficção com o real. aqui não é o espaço do real. se quer encontrar o real, tome um café comigo.)
"A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas." (fernando pessoa)



"Odeio circos. Aliás odeio tudo que me encanta e depois vai embora."
querer ser importante é vaidade.
tornando-se uma estranha.

not this time,but

i wont glorify or romanticese hertbreak
for me it was a kind of death
and i was forced to keep living

It's a long way

Arrenego de quem diz
Que nosso amor se acabou
Ele agora está mais firme
Do que quando começou

"Quem sofreu o teu domínio te conhece." (blake)
"Antes que nutra desejos irrealizáveis, é melhor matar a criança no berço." (blake)
Acordei com umas saudades.

"I wonder how I'll wear my hair when I'm thirty" (elise cowen)
Se você é jovem, deveria estar nas ruas protestando. E eu, mais uma vez, não consigo me encaixar. Os pássaros no céu dão vez aos helicópteros que não cessam.

A França de hoje não é o que é graças ao pacifismo. Hoje vejo o pacifismo como uma ferramenta de opressão. A mídia não parar de reforçar o pacifismo, de ressaltar as manifestações como protestos de paz. e os próprios manifestantes tem rechaçado a violência. Mas revoluções não são feitas apenas com cartazes em punho. Se estamos em luta por um Brasil melhor e por mudanças devemos dar a cara a tapa. Devemos ver que esse pacifismo que a mídia impõe é uma ferramenta de opressão. Querem nos dar o direito ao protesto, mas não querem nos dar o direito à revolução. A violência está aí e acontece todos os dias. Todos os dias somos mortos, violentados, estuprados pelo governo que não mais nos representa. Estamos num ponto em que se continuarmos nesse pacifismo opressor nossos protestos se tornarão um carnaval temporão. É preciso lutar, invadir símbolos políticos, violentar o Estado que nos violenta. Tomar as câmaras, os palácios, as sedes governamentais que são nossas. É preciso invadir os órgãos administrativos públicos que são nossos por direito. As bancas de jornais nas ruas não tem nada a ver com isso. As lojas de trabalhadores também oprimidos não tem nada com isso. Mas a Cidade Administrativa é nossa. É preciso invadir os símbolos do poder governamental. Por que nós somos o poder. Nossa violência deve ser direcionada. Não contra policiais, lojas, ônibus, mas contra os símbolos políticos. O pacifismo opressor não me representa. Não me liberta. Não muda. Não muda nossa condição. É preciso lutar e ir em frente. Sem medo de bombas de efeito moral. Por que minha moral está intacta. Que as bombas de efeito moral caiam e ataquem os políticos e a mídia que nos oprime ao impor a passividade. A história foi marcada por guerras. E foram elas que causaram mudanças e rupturas. A Bastilha não foi tomada pacificamente com cartazes. Constantinopla não foi tomada por cartazes. Independências não foram feitas com cartazes.

 Nossa mudança não será feita com cartazes.
“i am not yours.
i did not make the long hard journey through and across the spirit world
to
be a man’s ocean.
my body is not yours.
my mouth is not yours.
my water is not yours.
nothing i am belongs to you
unless i decide
to
open my hand
and
give it to you.”
birthmarks,
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só vim te ver para lembrar quem eu sou
sou feita menina de batom vermelho.
uma criança tentando ser mulher.

Joyce fala sobre nós dois

"Nós estivemos juntos por um ano e dez meses, apesar de que juntos provavelmente não é a palavra mais apropriada. Jack podia ir e vir na minha vida, aparecendo por poucas semanas ou talvez meses, e toda vez que ele partia eu nunca estava totalmente certa se o veria de novo. Fora ele ir em busca da solução que um novo destino parecia oferecer. Mas em 1957 não havia nenhum lugar na terra onde Jack poderia estar livre de seus próprios demônios. Ele era um homem que poderia viver apenas cada momento e que não fazia promessas, e desse modo ele era inescrupulosamente honesto e não fazia nenhum mal. Quando ele dizia “Adeus, até a próxima”, ele te deixava com a sua liberdade intacta, você querendo ou não esta liberdade."(In: Door Wide Open, a beat love affair - tradução por mim)



brotam no cimento, crescem onde não deveriam. com paciência e vontade exemplares, erguem-se com dignidade. sem estirpe, selvagens, inclassificáveis para a botânica. uma estranha beleza cambaleante, absurda... que enfeita os cantos mais cinzentos. elas não têm nada, e nada as detém. uma metáfora de vida irrefreável...que, paradoxalmente, me faz ver minha fraqueza. (in Medianeiras)
A vida de todo mundo parece mais bonita, interessante, badalada e legal do que a minha. Ninguém tem defeitos no facebook, são todos populares, cheios de amigos, que viajam sempre para lugares lindo e paradisiacos. Sai do facebook e parece que me tomei um antidoto contra algo muito ruim.

Gabriel Garcia diz em sua autobiografia “La vida no es la que uno vivió, sino la que uno recuerda y cómo la recuerda para contarla”. É assim vejo o facebook, uma utopia sobre quem e como você gostaria que a sua vida fosse, então você a conta como sonha. E é isso o que vale, como você a conta.

Tudo tem seus prós e contras, e basta você saber para qual lado a sua balança pesa mais. Estou feliz sem. Reaprendi a manter contato com os amigos, reaprendi a conversar, reaprendi a ver o mundo. E sem facebook, ele parece mais feliz e real. É ótimo tomar um café com um amigo para ele me contar, pessoalmente e com seus detalhes, todas aqueles aventuras e desventuras que ele teve, que o facebook inteiro já sabe, e você não, mas que agora você sabe de um jeito único e especial. Os contatos se tornam mais verdadeiros. Longe da regra de ser popular, educado e politicamente correto que inconscientemente o facebook te estipula.

O facebook se fecha e o mundo se abre.

feita de letras minúsculas.
"That was part of the secret of living alone: make your space and everything around you so beautiful that loneliness simply doens't occur."

há um desdecidir constante.

Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando
Me pego cantando
Sem mas nem porque
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você

Quando talvez precisar de mim
‘Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos, quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz
da vontade presente de dizer adeus