Trem da morte.
"Acordei com o sol rubro do fim da tarde; e aquele foi um momento marcante em minha vida, o mais bizarro de todos , quando não soube quem eu era - estava longe de casa, assombrado e fatigado pela viagem, num quarto de hotel barato que nunca vira antes, ouvindi o silvo das locomotivas, e o ranger das velhas madeiras do hotel, e passos ressoando no andar de cima, e todos aqueles sons melancolicos, e olhei para o teto rachado e por quinze estranhos segundos realmemte não soube quem eu era. Não fiquei apavorado; eu simplesmente era uma outra pessoa, um estranho, e toda a minha existencia era uma vida mal-assombrada, a vida de um fantasma. Eu estava na metade da America, meio caminho andado entre o leste da minha juventude e o oeste dos meus futuro, e é provavel que tenha sido exatamente por isso que tudo se passou bem ali, naquele entardecer dourado e insólito." (Jean Lebris du Kerouac)
Enviado de meu telefone Nokia
não fiz a conta dos dias. do tempo. e me assusto ao olhar o calendário para medir o tempo. uma semana e já não terei rotina. duas semanas e já não terei porto seguro. o tempo que antes corria devagar agora corre rápido. o medo é de que não dê tempo do nosso caso começar antes desse tempo. será que se eu te chamar para um cinema você vai aceitar? o tempo ta sendo gentil. mas a gente também tem que ser gentil com o senhor tempo. um beijo. um abraço. um amor. tanto espaço e não me caibo. sufoco oco. e pergunto ao tempo quanto tempo tenho para dar o tempo do nosso tempo no tempo certo do tempo.
meu tempo corre desmedido. pois meu amor não tem tempo. tem objeto direto e sujeito. meu amor não tem tempo, nem espaço, nem lugar. meu amor tem destinatário. meu amor, o tempo começa já.
verdade sentida
"I always felt that, in his own way, flawed as it might have been, Jack loved me as much as he could. And I think our relationship was one of the best relationships that he had. But he couldn't sustain a relationship, and I think I realised that even then. I had this sort of double-vision, even though I was quite young; if Jack had said, 'Let's get married!', I definitely would have done it, but I also knew, deep down, this wasn't for ever" (Joyce Johnson)
minor characters
não sei se eu lia o livro ou ele que me lia. joyce jonhson, vinte e dois anos, trabalhava para sustendar a vida sozinha, havia se deserdado ha uns anos, aos vinte e um conheceu kerouac, se apaixonou. lorena borges, vinte e dois anos, trabalhava para sustentar a vida sozinha, saiu de casa ha uns anos, aos vinte e um se apaixonou pelo seu kerouac, embora ele tivesse outro nome, jorge era seu equivalente em russo. lia o livro que a lia. e bem sabia não era ficção. nos anos cinquenta um estranho romance que se repetiu cinquenta nos depois. e nos próximos cinquenta. o que nos espera? kerouac fez coisas acontecerem, encantou pessoas. jorge também. joyce nunca mais foi a mesma. lorena também não. algumas pessoas transformam quem fomos e somos. kerouac e jorge pegaram a estrada. a estrada de joyce foi a estranha vida que levava. vida esta que ela própria escolheu. lorena, ainda não se sabe, talvez vá embora, mas volta. kerouac viveu algo grande, assim como jorge. amou muitos e muitas, assim como jorge. joyce e kerouac tiveram muitas indas e vindas. lorena quer apenas as vindas. acredita-se que jorge também. kerouac, anjo desolado escreveu: 'joycey, the best love affair i ever had'. lorena prefere escrever a mesma frase no presente futuro próximo e deseja que jorge também. cinquenta anos para cá, cinquenta anos para lá. cinquenta oportunidades de fazer a mesma história com final diferente. seja como for, marcado na vida de joyce e de lorena há em cada uma o seu kerouac.
Não me importa quantas tenha adentrado. Não me importa quantas sentiram o seu hálito. Não me importa com quem dividiu seu riso. Não me importa. Apenas repito a mim como em um mantra: confia. Seu cheiro sem cheiro que é um cheiro só meu. Suas pintas nas costas, fazendo constelações. Sua pele fresca. Seu olhos, que para mim olham cheio de segredos compartilhados. O calo do pé, feito um parque de diversões. As mãos que pintam, que gravam, que manipulam e que também me amam. Amaram. E confio, amarão. Seu cheiro sem cheiro que era um cheiro só meu que sinto falta todas as manhãs. Falta de acordar no olho do outro. A lacuna do seu membro no meu ventre. O salivar de palavras doces. Meu dedo que era seu. Assim como meu corpo, meus cabelos, meu intimo, meu amor que ainda o é. Mordiscar de brincadeiras. Não me importa com quem saia, o que faça, como se divirtas. Se for a minha pele adormecida que quer tocar quando acorda, se for a minha meninice que deseja quando está com tédio, eu confio. Feito mantra eu repito: confia. E mais que confiar eu acredito. Pois duas pessoas quando se desejam sempre acham o caminho de volta.
"Este é o trigésimo dia. O ciclo está completo e não encontrei o Leopardo dos Mares. Já não sei ao certo se alguém me contou, se leram nas cartas, nas runas, mas estava certo de que ele estaria aqui e só por isso vim. Procurei-o no porto, nos cafés, na praia, pelas esquinas e barcos. Olhei tudo e todos muito atentamente. Sei que o identificaria por aquela tatuagem no braço esquerdo - um leopardo dourado saltando sobre sete ondas verdes espumantes. E mesmo que fizesse frio e eu não pudesse ver seus braços, reconheceria de longe seus olhos de jade. E, se usasse óculos escuros, eu assobiaria aquela canção até que me escutasse. Sem ele, não vejo sentido em continuar nesta cidade. Que todos me perdoem, mas escrever agora é recolher vestígios do impossível. Para encontrá-lo, e isso é tudo o que me importa, eu parto."
veio caio fernando vomitar em mim a verdade sentida.
acordei de sonhos intranquilos.
sonhei sonhos intranquilos. um novo motivo, um nome, uma desconectar de almas, uma pontada no peito. acordei. e assim que acordei o telefone tocou, eu acabara de ter um sonho premonitorio e já sabia. encontramos. e tudo o que eu havia sonhado era de fato real. um motivo, juliana da joalheria, moça bonita de cabelos curtos, beijava bem. então um pedido de apagarmos os planos que fizéramos de um dia dois virar um e virar três. o detalhe de ja ter sonhado e já saber o que me esperava não fez soar menos estranho, mas sabia debilmente como agir. o fato é que acordei de novo. um sonho dentro de outro. e agora não tive telefonena, nem mensagem, nem sinal de fumaça para me mostrar essa tal juliana da joalheria, roubando meu conto de fadas. talvez o motivo seja outro. talvez seja só sonho.
acordei de sonhos intranquilos.
intranquila.
Pé na estrada
"Quando a gente passa as férias viajando de moto, vê as coisas de um jeito completamente diferente. De carro a gente está sempre confinada, e como já estamos acostumados, nem notamos que tudo que vemos pela janela não passa de mais um programa de televisão. Sentimo-nos como um espectador, a paisagem fica passando monotonamente na tela, fora do nosso alcance. Já na motocicleta, não há limites. Fica-se inteiramente em contato com a paisagem. A gente faz parte da cena, não fica mais só assistindo, e a sensação de estar presente é esmagadora. Aquele concreto zunindo a uns quinze centímetros da sola dos pés é real, é o chão onde se pisa, está bem ali, tão indistinto devido à velocidade que nem se pode fixar a vista nele; e, no entanto, para tocá-lo basta esticar o pé. A gente nunca se desliga daquilo que está acontecendo"
(Robert Pirsig - Zen e a arte da manutenção de motocicletas)
não ha porto seguro
a vontade era de afogar em minhas cobertas, permanecer no meu casulo até que a transformação se complete. hibernar até que o tempo ruim passe. mas humana que sou essas alternativas não se encaixam. resta levantar com os olhos apertados. e encarar, mesmo que sem vontade os dias que gritam sua loucura. o nó, a angustia e a amargura que sinto no peito me livrar num vomito. algo incomoda mais do que ontem, menos do que amanhã. me afoguei em mar aberto.
bichinho
Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.
(maiakoviski)
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.
(maiakoviski)
"Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
E desconcertante
Rever o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos, dezembros
Mas quando me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero..."
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
E desconcertante
Rever o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos, dezembros
Mas quando me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero..."
Fernando Pessoa para falar agora
26. "dar a cada emoção uma personalidade, a cada estado de alma uma alma"
233. "... a tristeza solene que habita em todas as coisas grandes -"126. "conforme a sorte manda e o acaso faz"
46. "no desalinho triste das minhas emoções confusas"
372. "absurdemos a vida, de leste a oeste"
28. "um halito de música ou de sonho, qualquer coisa que faça quase sentir, qualquer coisa que faça não pensar"
angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia angustia
um diário adolescente. talvez porque não passe mais do isso. na efervescência da minha imaturidade. mas nada pode ser exigido. cada coisa a seu tempo e eu respeito o meu. por mais que aflija, por mais que doa, por mais que me angustie não ser a mulher que esperam que eu seja. sou menina. tentando viver uma vida de mulher que não se encaixa. feito banana no saco, obrigada a amadurecer antes do tempo. e de tempos em tempos minha imaturidade vem a prova, e a dor do parto de partir raízes. não passo de uma adolescente. tentando viver uma vida de mulher. uma maturidade que ainda não tenho para dar leveza às dores. vomito minhas estrofes de mil versos. vômito. de dentro, de coisa pobre, do que não faz bem, de coisa errada. aqui assumo a meu medo, o meu fraquejo. o olhar assustando de quem vive uma vida que não é sua. de quem vive um tempo que não é seu. enquanto tento ser a mulher que quero ter orgulho vomito as crises adolescentes que ainda me ferem. tudo para manter o equilíbrio. vomito aqui sozinha. e nesses momentos é o que mais espero, ser sozinha. para que não vejam, não notem, não enojem, a criança assustada no escuro que sou.
preciso parir minhas dores.
noto: lido mais do que gostaria com partos.
bella
três dias seguidos sonhando algo relacionado/com você
e estupidamente ainda não entendi.
sei que ontem tinha você ali.
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