(sentindo o gosto do mundo)
Como uma criança a colocar a realidade na boca.
"Talking to most people is like spitting into air. Days, weeks go by and nothing said."
(Joyce Johnson - Door Wide Open)

I had already that feeling too...

" I remember the first party we went to last Fall. You said, “Protect me”, and I wanted to with all my heart, but didn’t do a very good job, having all my own old shynesses and especially my strange shyness of you – it was always like maybe you were going off in a taxi any minute and I’d never see you again, and had we ever known each other after all?..." (Joyce Johnson - Door Wide Open, pag.158)


so true,
 this feeling 'bout me and you.
speechless.
speech less.

"Fotografei você na sua Rolleiflex
Revelou-se a sua enorme ingratidão..."
me dilacero inteira.
procurando o que quero negar.
"A originalidade, é um questão de estômago" (Paul Valéry)
"tell all the truth but tell it slant" (emily dickinson)
take a walk on the wild side.
mais para comédia do que para drama.

(a propósito dos dois risos)

"Conceber o diabo como partidário do Mal e o anjo como um combatente do Bem é aceitar a demagogia dos anjos. As coisas são, evidentemente, mais complicadas.
Os anjos são partidários, não do Bem, mas da criação divina. O diabo, ao contrário, é aquele que recusa ao mundo divino um sentido racional.
O domínio do mundo, como se sabe, é dividido entre anjos e demônios. Contudo, o bem do mundo não implica que os anjos levem vantagem sobre os demônios (como eu pensava quando era criança), e sim que o poder de uns e de outros seja mais ou menos equilibrado. Se existe no mundo muito sentido indiscutível (o poder dos anjos), o homem sucumbe sob o seu peso. Se o mundo perde todo o sentido (o reino dos demônios), também não se pode viver.
As coisas, se provadas subitamente de seu suposto sentido, do lugar que lhes é destinado na ordem esperada das coisas (um marxista formado em Moscou acreditar em horóscopo), provocam em nós o riso. Em sua origem, o riso pertence portanto ao domínio do diabo. Existe alguma coisa de mau (as coisas de repente se revelam diferentes daquilo que pareciam ser), mas existe nele também uma parte de alívio salutar (as coisas são mais leves do que pareciam, elas nos deixam viver mais livremente, deixam de nos oprimir sob sua austera seriedade).
Quando ouviu pela primeira vez o riso do demônio, o anjo foi tomado de estupor. Isso se passou num festim, a sala estava cheia de gente e as pessoas foram dominadas umas após as outras pelo riso do diabo, que é horrivelmente contagiante. O anjo compreendeu claramente que esse riso era dirigido contra Deus e contra a dignidade de sua obra. Sabia que tinha de reagir rapidamente, de uma maneira ou de outra, mas sentia-se fraco e sem defesa. Não conseguindo inventar nada, imitou seu adversário. Abrindo a boca, emitiu sons entrecortados, descontínuos, em intervalos acima de seu registro vocal (era mais ou menos o mesmo som que Michèle e Gabrielle faziam numa rua de uma cidade da costa mediterrânea), mas dando-lhe um sentido oposto: Se o riso do diabo mostrava o absurdo das coisas, o do anjo, ao contrário, queria alegrar-se por tudo aqui embaixo ser bem ordenado, sabiamente concebido, bom e cheio de sentido.
Assim, o anjo e o diabo se enfrentavam e, mostrando a boca aberta, emitiam mais ou menos os mesmos sons, mas cada um expressava, com seu ruído, coisas absolutamente opostas. E o diabo olhava o anjo rir, e ria cada vez mais, cada vez melhor e cada vez mais francamente, porque o anjo rindo era infinitamente cômico.
Um riso ridículo é um desastre. No entanto, os anjos ainda assim obtiveram um resultado. Eles nos enganaram com uma impostura semântica. Para designar sua imitação do riso e o riso original (0 do diabo), existe apenas uma palavra. Hoje em dia nem nos damos conta de que a mesma manifestação exterior encobre duas atitudes interiores absolutamente opostas. Existem dois risos e não temos uma palavra para distingui-los" (O Livro do Riso e Do Esquecimento - Milan Kundera)

"because road is fast." (j.k.)
fim de um ciclo. sai em 13 de outubro. retorno agora. tudo o que vi e vivi em tantos lugares. tudo o que pensei. o que concluí. a praia de paracas. a praia de mancora. a praia de cartagena. as grandes edificações de mim mesma. para me colocar agora bem longe do mar. mas no meu porto. fim do ciclo. é hora de voltar a ter responsabilidades. é hora de escutar as palavras do taita mutumbahoy. para que nenhum homem me fira novamente com palavras.
"compreendia que o que dava a suas lembranças escritas sentido e valor era elas serem destinadas apenas a ela. no momento em que perdessem essa qualidade, o elo íntimo que a unia a elas seria rompido, e ela não poderia mais lê-las com seus próprios olhos, mas somente com os olhos do público que toma conhecimento de um documento sobre outra pessoa. então, mesmo aquela que as escrevera se tornaria outra, uma estranha. a semelhança acentuada que, apesar de tudo, subsistiria entre ela e a autora dos diários lhe daria a impressão de uma paródia, de uma zombaria. não, ela não poderia nunca mais ler seus diários se fossem lidos por olhos estranhos." (milan kundera)

Contrato nupcial

"digamos de outra maneira: toda relação amorosa repousa sobre convenções não escritas que aqueles que se amam estabelecem precipitadamente nas primeiras semanas de amor. Eles ainda estão numa espécie de sonho, mas ao mesmo tempo, sem sabe-lo, redigem como juristas rigorosos as cláusulas detalhadas de seu contrato. Oh, os amantes, sejam prudentes nesses perigosos primeiros dias! Se levarem para o outro o café-da-manhã na cama, terão de levá-lo para sempre, se não quiserem ser acusados de desamor e de traição."

(milan kundera)

7 22 30



hoje sonhei comigo mesma. eu me encontrando comigo mesma aos meus 7 anos. a menina de 22 ajudando a menininha de 7 a tirar o chiclete do cabelo. ai eu fiquei ali, me olhando correr por entre a sala, me olhando brincar. me olhando para ver e conhecer quem eu era, essa eu que não conheci porque não tinha consciência de mim. ai pensei: uma oportunidade unica para me dar um conselho. ai pensei de novo: não há nenhum conselho para dar, para essa menina de 7 ser a menina de 22 que sou agora é extremamente necessário que eu passe por tudo que eu passei, não há do que aconselhar nem prevenir. eu faria tudo da mesma maneira outra vez. ( um orgulho secreto da menina de 22 que sou agora, que irá se tornar uma mulher de 30, que veio da menininha de 7)

faltam 7.

eu admiro essas mulheres de 30.
e suas juventudes maduras.

eu admiro esses meninos de 30.
com seus filhos nos braços.


Eu fecho os olhos para dormir e me vem as ruas de Bogota, a cama de Quito, as tardes de Huacachina, a paquera em Arequipa, as estrelas no meio da estrada para Cusco, a delicia de Copacabana, a loucura de La Paz, a serenidade do Atacama. Quando, onde sera a minha proxima bolha onirica viajante?

uma verdade dita em outubro de 2008

"O ímpeto de crescer e viver intensamente foi tão forte em mim que não consegui resistir a ele. Enfrentei meus sentimentos. A vida não é racional; é louca e cheia de mágoa. Mas não quero viver comigo mesma. Quero paixão, prazer, barulho, bebedeira e todo o mal. Quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar em corpos, beber um Benedictine ardente. Quero conhecer pessoas perversas, ser íntima delas. Quero morder a vida e ser despedaçada por ela. Eu estava esperando. Esta é a hora da expansão, do viver verdadeiro. Todo o resto foi uma preparação. A verdade é que sou inconstante, com estímulos sensuais em muitas direções. Fiquei docemente adormecida por alguns séculos e entrei em erupção sem avisar."
"Nesses dias longinquos que rompera com Zdena ele experimentava o sentimento pertubador de uma imensa liberdade, e tudo de repente começava a dar certo para ele." (Milan Kundera)
vou viver um amor de verão.
hoje já me escrevo a passos certos de quem sou.
vou escrever na pele
agulha e sangue
para não esquecer

diário de quem foi

melhor do que ir, é voltar
la paz, quito, bogotá.
que importa se não tiver com quem compartilhar?

melhor do que ir é saber que posso voltar
para a casa dos amigos
que hoje já chamo de lar.



vi, senti e respirei Latinoamérica



88 dias, 29 cidades, 5 países
latinoamérica que me engole e me vomita.
Queimamos um boneco de papel cheio de polvora chamado Ano Velho, comemos 12 uvas e fizemos um pedido para cada mes, gritamos boas vindas para o Ano Novo, escrevemos o que queremos esquecer de 2011 num papel e o que queremos para 2012 em outro e queimamos, nos abracamos, rimos, fomos para a rua, tomamos uns chupitos, rimos, brincamos. E ja sinto toda a energia maravilhosa de 2012!
When I think of all the things I've done
And I know that it's only just begun
Those smiling faces

When I think of all the things I've seen
And I know that it's only the beginning
Qual flor de uma estação
Botão fechado eu sou
Se amadurecendo
Pra se abrir pro meu amor

sobre o amor

"eu era jovem demais para entender o que havia se passado" (Jack Kerouac)

ha um ano fizemos as pazes

"mas para que se pensar nisto quando se tem pela frente toda a vastidao dourada da Terra e acontecimentos imprevisíveis de todos os tipos estão à espera, de tocaia, para te surpreender e te fazer ficar satisfeito simplesmente por estar vivo para presenciá-los?"

laryssa me disse

"Essa semana tenho sonhado muito com você. Sempre num pantone amarelado, com a luz sempre ofuscando de leve a vista, mas que eu vejo seus cabelos ao vento, vc sorrindo fasseira, rindo solta, e quando fica séria, é pra sentir o vento. Não diz nada, só olha pra mim e ao redor. E sorri descabelada de braços abertos pra vida."
"La vida nos es la que uno vivió, sino la que uno recuerda y cómo la recuerda para contarla."
"Eu estava curtindo uma temporada fantastica e o mundo inteiro abria-se à minha frente porque eu não tinha sonhos"
“Que sensação é essa, quando voce esta se afastando das pessoas e elas retrocedem na planície até você ver o espectro delas se dissolvendo? – é o vasto mundo nos esperando, e é o adeus. Mas nos jogamos em frente, rumo à próxima aventura louca sob o céu.” (Jack Kerouac – On the Road)
Que bons ventos me levem, bem leve, por ai...

Trem da morte.

"Acordei com o sol rubro do fim da tarde; e aquele foi um momento marcante em minha vida, o mais bizarro de todos , quando não soube quem eu era - estava longe de casa, assombrado e fatigado pela viagem, num quarto de hotel barato que nunca vira antes, ouvindi o silvo das locomotivas, e o ranger das velhas madeiras do hotel, e passos ressoando no andar de cima, e todos aqueles sons melancolicos, e olhei para o teto rachado e por quinze estranhos segundos realmemte não soube quem eu era. Não fiquei apavorado; eu simplesmente era uma outra pessoa, um estranho, e toda a minha existencia era uma vida mal-assombrada, a vida de um fantasma. Eu estava na metade da America, meio caminho andado entre o leste da minha juventude e o oeste dos meus futuro, e é provavel que tenha sido exatamente por isso que tudo se passou bem ali, naquele entardecer dourado e insólito." (Jean Lebris du Kerouac)

Enviado de meu telefone Nokia

Panamá que me espere! Colômbia que me aguarde! Equador aí vou eu! Peru uma beijoca! Chile um abraço! E Bolívia que me receba!

Parto para o desconhecido.
"De nuestros miedos
nacen nuestros corajes
y en nuestras dudas
viven nuestras certezas.
Los sueños anuncian
otra realidad posible
y los delirios otra razón.
En los extravios
nos esperan hallazgos,
porque es preciso perderse
para volver a encontrarse."



(Eduardo Galeano)
o peixe morre é pela boca.

neoqav

eu me esqueci.
esse blog deveria se chamar era 'valvula de escape'
um amigo uma vez me disse que a hora de tudo é a hora em que acontece.
não ouso discordar.






não fiz a conta dos dias. do tempo. e me assusto ao olhar o calendário para medir o tempo. uma semana e já não terei rotina. duas semanas e já não terei porto seguro. o tempo que antes corria devagar agora corre rápido. o medo é de que não dê tempo do nosso caso começar antes desse tempo. será que se eu te chamar para um cinema você vai aceitar? o tempo ta sendo gentil. mas a gente também tem que ser gentil com o senhor tempo. um beijo. um abraço. um amor. tanto espaço e não me caibo. sufoco oco. e pergunto ao tempo quanto tempo tenho para dar o tempo do nosso tempo no tempo certo do tempo. 

meu tempo corre desmedido. pois meu amor não tem tempo. tem objeto direto e sujeito. meu amor não tem tempo, nem espaço, nem lugar. meu amor tem destinatário. meu amor, o tempo começa já.