Arrenego de quem diz
Que nosso amor se acabou
Ele agora está mais firme
Do que quando começou
It's a long way
Se você é jovem, deveria estar nas ruas protestando. E eu, mais uma vez, não consigo me encaixar. Os pássaros no céu dão vez aos helicópteros que não cessam.
A França de hoje não é o que é graças ao pacifismo. Hoje vejo o pacifismo como uma ferramenta de opressão. A mídia não parar de reforçar o pacifismo, de ressaltar as manifestações como protestos de paz. e os próprios manifestantes tem rechaçado a violência. Mas revoluções não são feitas apenas com cartazes em punho. Se estamos em luta por um Brasil melhor e por mudanças devemos dar a cara a tapa. Devemos ver que esse pacifismo que a mídia impõe é uma ferramenta de opressão. Querem nos dar o direito ao protesto, mas não querem nos dar o direito à revolução. A violência está aí e acontece todos os dias. Todos os dias somos mortos, violentados, estuprados pelo governo que não mais nos representa. Estamos num ponto em que se continuarmos nesse pacifismo opressor nossos protestos se tornarão um carnaval temporão. É preciso lutar, invadir símbolos políticos, violentar o Estado que nos violenta. Tomar as câmaras, os palácios, as sedes governamentais que são nossas. É preciso invadir os órgãos administrativos públicos que são nossos por direito. As bancas de jornais nas ruas não tem nada a ver com isso. As lojas de trabalhadores também oprimidos não tem nada com isso. Mas a Cidade Administrativa é nossa. É preciso invadir os símbolos do poder governamental. Por que nós somos o poder. Nossa violência deve ser direcionada. Não contra policiais, lojas, ônibus, mas contra os símbolos políticos. O pacifismo opressor não me representa. Não me liberta. Não muda. Não muda nossa condição. É preciso lutar e ir em frente. Sem medo de bombas de efeito moral. Por que minha moral está intacta. Que as bombas de efeito moral caiam e ataquem os políticos e a mídia que nos oprime ao impor a passividade. A história foi marcada por guerras. E foram elas que causaram mudanças e rupturas. A Bastilha não foi tomada pacificamente com cartazes. Constantinopla não foi tomada por cartazes. Independências não foram feitas com cartazes.
Nossa mudança não será feita com cartazes.
Joyce fala sobre nós dois
"Nós estivemos juntos por um ano e dez meses, apesar de que juntos provavelmente não é a palavra mais apropriada. Jack podia ir e vir na minha vida, aparecendo por poucas semanas ou talvez meses, e toda vez que ele partia eu nunca estava totalmente certa se o veria de novo. Fora ele ir em busca da solução que um novo destino parecia oferecer. Mas em 1957 não havia nenhum lugar na terra onde Jack poderia estar livre de seus próprios demônios. Ele era um homem que poderia viver apenas cada momento e que não fazia promessas, e desse modo ele era inescrupulosamente honesto e não fazia nenhum mal. Quando ele dizia “Adeus, até a próxima”, ele te deixava com a sua liberdade intacta, você querendo ou não esta liberdade."(In: Door Wide Open, a beat love affair - tradução por mim)
brotam no cimento, crescem onde não deveriam. com paciência e vontade exemplares, erguem-se com dignidade. sem estirpe, selvagens, inclassificáveis para a botânica. uma estranha beleza cambaleante, absurda... que enfeita os cantos mais cinzentos. elas não têm nada, e nada as detém. uma metáfora de vida irrefreável...que, paradoxalmente, me faz ver minha fraqueza. (in Medianeiras)
A vida de todo mundo parece mais bonita, interessante, badalada e legal do que a minha. Ninguém tem defeitos no facebook, são todos populares, cheios de amigos, que viajam sempre para lugares lindo e paradisiacos. Sai do facebook e parece que me tomei um antidoto contra algo muito ruim.
Gabriel Garcia diz em sua autobiografia “La vida no es la que uno vivió, sino la que uno recuerda y cómo la recuerda para contarla”. É assim vejo o facebook, uma utopia sobre quem e como você gostaria que a sua vida fosse, então você a conta como sonha. E é isso o que vale, como você a conta.
Tudo tem seus prós e contras, e basta você saber para qual lado a sua balança pesa mais. Estou feliz sem. Reaprendi a manter contato com os amigos, reaprendi a conversar, reaprendi a ver o mundo. E sem facebook, ele parece mais feliz e real. É ótimo tomar um café com um amigo para ele me contar, pessoalmente e com seus detalhes, todas aqueles aventuras e desventuras que ele teve, que o facebook inteiro já sabe, e você não, mas que agora você sabe de um jeito único e especial. Os contatos se tornam mais verdadeiros. Longe da regra de ser popular, educado e politicamente correto que inconscientemente o facebook te estipula.
O facebook se fecha e o mundo se abre.
Gabriel Garcia diz em sua autobiografia “La vida no es la que uno vivió, sino la que uno recuerda y cómo la recuerda para contarla”. É assim vejo o facebook, uma utopia sobre quem e como você gostaria que a sua vida fosse, então você a conta como sonha. E é isso o que vale, como você a conta.
Tudo tem seus prós e contras, e basta você saber para qual lado a sua balança pesa mais. Estou feliz sem. Reaprendi a manter contato com os amigos, reaprendi a conversar, reaprendi a ver o mundo. E sem facebook, ele parece mais feliz e real. É ótimo tomar um café com um amigo para ele me contar, pessoalmente e com seus detalhes, todas aqueles aventuras e desventuras que ele teve, que o facebook inteiro já sabe, e você não, mas que agora você sabe de um jeito único e especial. Os contatos se tornam mais verdadeiros. Longe da regra de ser popular, educado e politicamente correto que inconscientemente o facebook te estipula.
O facebook se fecha e o mundo se abre.
Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci
Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais
E que venho até remoçando
Me pego cantando
Sem mas nem porque
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você
Quando talvez precisar de mim
‘Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos, quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz
'do como me sinto hoje' ou 'não passei no mestrado'
Poema em linha reta
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
com fotografias consolo a saudade do rapaz que fui, embora saiba que há muito se apagaram os sorrisos do teu rosto. envelhecemos separados, o eu das fotografias e o eu daquele que neste momento escreve. envelhecemos irremediavelmente, tenho pena, mas é tarde e estou cansado para as alegrias dum reencontro. não acredito na reconciliação, ainda menos no regresso ao sorriso que tenho nas fotografias. não estou aqui, nunca estive nelas. quase nada sei de mim. (al berto)
não sei nada
Conheço as palavras pelo dorso. Outro, no meu lugar, diria que sou um domador de palavras. Mas só eu - eu e os meus irmãos - sei em que medida sou eu que sou domado por elas. A iniciativa pertence-lhes. São elas que conduzem o meu trenó sem chicote, nem rédeas, nem caminho determinado antes da grande aventura.
Sim. Conheço as palavras. Tenho um vocabulário próprio. O que sofri, o que vim a saber com muito esforço fez inchar, rolar umas sobre as outras as palavras. As palavras são seixos que rolo na boca antes de as soltar. São pesadas e caem. São o contrário dos pássaros, embora «pássaro» seja uma das palavras. A minha vida passou para o dicionário que sou. A vida não interessa. Alguém que me procure tem de começar - e de se ficar - pelas palavras. Através das várias relações de vizinhança, entre elas estabelecidas no poema, talvez venha a saber alguma coisa. Até não saber nada, como não sei. (ruy belo)
aos amigos
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
- Temos um talento doloroso e obscuro.
construímos um lugar de silêncio.
De paixão.
Herberto Hélder
amor como em casa
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa, compro um livro, entro no
amor como em casa.
(manuel pina)
Ainda te falta
dizer isto: que nem tudo
o que veio
chegou por acaso. Que há
flores que de ti
dependem, que foste
tu que deixaste
algumas lâmpadas
acesas. Que há
na brancura
do papel alguns
sinais de tinta
indecifráveis. E
que esse
é apenas
um dos capítulos do livro
em que tudo
se lê e nada
está escrito.
(albano martins)
Eclesiastes
Tempo de foder
tempo de não foder
saber gerir
os tempos
compor
saber estar sozinha
para saber estar contigo
e vice-versa
aqui estão as minhas contas
do que foi
(Adília Lopes)
"And Jack is lovely
but quite mad which one just has to accept since there’s no hope that he’ll
ever be otherwise so I really don’t know what’s going to happen, don’t even
know what I’d want if I had to make my mind up. Part of me feels like running
off to Europe or someplace anyway! Meanwhile I
guess I’m “going steady” in a sort of nervous, unspoken arrangement that goes
on and on with no particular end in sight – if you know what I mean." (Joyce Johnson - Doors Wide Open: a beat love affair in letters, 2001:131)
"Há algo de triste e desconcertante acerca da eterna estabilidade da mobília e dos objetos quando as pessoas se vão. Elise, especialmente, que provavelmente não verei novamente por anos – Eu estou me sentindo como se alguém tivesse pegado um pincel e desenhado uma linha negra através da vida. Ela estava sentada no sofá lendo suas antigas correspondências e papéis e jogando as coisas fora e colocando coisas de lado e então eu percebi que nós duas havíamos crescido, o que era lindo e terrível ao mesmo tempo. É engraçado, mas depois de tanto anos que nos conhecemos, este verão nós realmente começamos a nos conhecer de verdade – com inúmeras imagens que jogamos fora por fim. Eu jamais poderia escrever aquele poema que escrevi sobre ela agora. Estou imensamente feliz por ela – ela ama e é amada e tudo está florescendo para ela; ela colocou de lado todos os seus vestidos pretos e veste laranja agora."
(Joyce Johnson - Door Wide Open: a beat love affair in letters. Tradução minha.)
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