Hoje meu discurso é diferente: escrever me cansa.
Quanto custa uma noite?

my hot hot sex

"Não sei mais quem sou, se sou, ou o quê restou do que eu era. Sei o que nunca mais serei. Cansei de ser Lolita, hoje estou muito mais para femme fatale. Os sonhos que um dia foram construídos com açúcar tornaram-se pesadelos construídos com pimenta. Deixei de acreditar em finais felizes, típicos de contos de fadas, eles simplesmente não existem. A inocência foi levada pela ilusória sensação de amor, só restou o ódio.
A ‘‘bonequinha’’ quebrou sua redoma de vidro e foi viver sua vida. Os sons que antes se assemelhavam àqueles de caixinha-de-música, apropriados para embalar doces sonhos, hoje se transformaram em gritos e ruídos marcados pelo som pesado da guitarra. Os lugares que eram límpidos e gramados foram substituídos por sujos espaços localizados em qualquer cenário underground. Provo de um suave veneno, tento me manter cool.
A música vai chegando aos meus ouvidos através do fone de ouvido fodido do meu mp3, ela me distrai da vida. Na maioria das vezes, só tenho a música, ela está comigo em qualquer lugar, em qualquer momento, me dando orgasmos múltiplos e me mantendo viva. Music is my hot hot sex.
Fico enjoada com a palavra amor, então vomito palavras cheias de repulsão, cuspo pensamentos aleatórios sem o menor sentido. Perco-me no meio de tantos padrões que são estabelecidos. Alucinações, calafrios e suspiros. Busco por mim mesma e desisto de me encontrar. A candura daquela meiga menininha se esgotou e nunca mais voltará a existir. A doce menininha cansou, virou as costas e nunca mais regressará."

Desconhecido

idiota esperança

É preciso ferir-se um pouco. Ou muito.
É preciso sentir o próprio veneno.
É preciso sentir a dor feita por decisões precipitadas e erradas.
É preciso sentir as consequencias.
É preciso sofrer, sangrar...
É preciso ter esperança de que um dia se cure.

É preciso (?)

Sinto que é preciso fazer alguma loucura qualquer. Pegar uma carona, partir pro mundo e deixar tudo pra trás. Não pensar em solidão quando sempre fui sozinha.
É preciso cometer algumas loucuras. É preciso sair para o mundo porque ficar aqui não tem adiantado muita coisa. É preciso sair e conhecer gente nova, conhecer as pessoas erradas, porque estou cheia das pessoas certas que insistem em entrar na minha vida na minha hora errada. Estou cheia de tentar ser a pessoa certa, de seguir regras, de ser moral. É preciso conhecer as pessoas erradas.
É preciso sentir o meu próprio veneno. É preciso sentir o vento no rosto, o cheiro da manhã e qualquer coisa boa que possa vir com o sol. É preciso esquecer o que ficou para trás e ir em frente. É preciso tentar. É preciso chorar.
É preciso estar em paz, era só o que eu queria. Aceitar a minha solidão, aceitar a minha loucura e partir...

Embora eu seja touro e terra me sinto bem mais a vontade com o vento...

É preciso ferir-se um pouco. Ou muito.
É preciso sentir o próprio veneno.
É preciso sentir a dor feita por decisões precipitadas e erradas.
É preciso sentir as consequencias.
É preciso sofrer, sangrar...
É preciso ter esperança de que um dia se cure.

Lorena Borges

Making vows that just can't work right

Quisera eu ser forte. Mas não, já percebi, não sou. Estou sempre fazendo promessas das quais não posso cumprir. Estou sempre me arrependendo e voltando atrás. Estou sempre fazendo as coisas erradas. Tenho encontrado as pessoas certas, vivido e convivido com os caras certos, mas na minha hora errada.

amém

"Meu Deus, não sou muito forte, não tenho muito além de uma certa fé - não sei se em mim, se numa coisa que chamaria de justiça-cósmica ou a-coerência-final-de-todas-as-coisas. Preciso agora da tua mão sobre a minha cabeça. Que eu não perca a capacidade de amar, de ver, de sentir. (...) Que eu não me perca, que eu não me fira, que não me firam, que eu não fira ninguém. Livra-me dos poços e dos becos de mim, Senhor. (...) Sinto uma dor enorme de não ser dois e não poder assim um ter partido, outro ter ficado com todas aquelas pessoas"

Caio Fernando Abreu
tô sem idéia. sem vontade de descrever. de nada. não tenho a mínima idéia do que virá a seguir. inércia é meu sobrenome. ando tão feio. tão sem assunto. me assusto. ninguém mais há em minha volta. tô cansado da minha companhia. só falo besteira. não digo nada com nada. preciso exercitar a pena. se ela se move que seja na minha mão. trêmula e bolorenta. mesmo que seja para ser mais um papel sujo. se isso fosse uma folha em branco, você podia desenhar, descansar a vista. ou escrever um bilhete suicida. mas eu passei primeiro e... se você não se importa, rabisque por cima. por mim tanto faz. acho até que vou tomar um bagaço e ver no que dá. vou à torre de Belém olhar o Tejo. matar o tempo pra não me matar, esse é o meu nome. fiquei nos quartos dessa casa em Benfica o dia todo, ouvindo rock lendo história em quadrinho. boa noite. talvez alguém leia e curta isso aqui. tanto faz. embora tudo que mais quero nessa porca vida é te botar feliz. bagaço basta o meu e o da uva.

dois ponto três lisboa

tô sem idéia. sem vontade de descrever. de nada. não tenho a mínima idéia do que virá a seguir. inércia é meu sobrenome. ando tão feio. tão sem assunto. me assusto. ninguém mais há em minha volta. tô cansado da minha companhia. só falo besteira. não digo nada com nada. preciso exercitar a pena. se ela se move que seja na minha mão. trêmula e bolorenta. mesmo que seja para ser mais um papel sujo. se isso fosse uma folha em branco, você podia desenhar, descansar a vista. ou escrever um bilhete suicida. mas eu passei primeiro e... se você não se importa, rabisque por cima. por mim tanto faz. acho até que vou tomar um bagaço e ver no que dá. vou à torre de Belém olhar o Tejo. matar o tempo pra não me matar, esse é o meu nome. fiquei nos quartos dessa casa em Benfica o dia todo, ouvindo rock lendo história em quadrinho. boa noite. talvez alguém leia e curta isso aqui. tanto faz. embora tudo que mais quero nessa porca vida é te botar feliz. bagaço basta o meu e o da uva.

Chacal
Não sou sozinho,
tenho dois travesseiros


É preciso ir em busca da cura

Há algo errado. E os minutos correm apressadamente.

Melancolia s.f (gr. melancholia, de melanos, sombrio e chole, fel) 1. Depressão intensa vivenciada através de um sentimento de dor moral e caracterizada por diminuição psicomotora e por idéias de suicídio. 2. característica dominante de qualquer coisa que inspira tristeza.

Sou o que se chama de pessoa impulsiva.

"Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade. Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei."

Clarice Lispector


Há algo acontecendo e eu não posso supor o que é.

aguda

Mas me doia tanto, tanto, que nem mesmo sabia de onde vinha tamanha dor. Apenas doia, fundo e agudo e me confundia. Era tamanha dor que eu ia perdendo a noção das coisas, perdera até mesmo a noção de quem era e do que fazia. Apenas ia fazendo, seguindo um instinto que nascia sei lá de onde. Eu era instinto, pura sobrevivência e com essa tamanha dor eu tinha apenas uma sobre-vida.
Eu era dor, aguda, confusa.

(escrito numa fila de hospital)

Lorena Borges

Margaridas vieram me visitar.
Sem motivo, apenas vieram.
Não, hoje eu não quero estar sozinha...
Fica, aqui, registrado o pior dos últimos dias.
"Antes fosse uma tempestade, com trovões e chuva forte, mas não, é só um dia cinzento, aliás, são todos os dias cinzentos: sete segundas feiras por semana..."

Eduardo Lopes

menor que

"Fiquei tão só, aos poucos. Fui afastando essas gentes assim menores, e não ficaram muitas outras. Às vezes, nos fins de semana principalmente, tiro o fone do gancho e escuto, para ver se não foi cortado. Não foi."

Não sou de muitas pessoas, as poucas que tenho me bastam.

nós

Eu... sei que me disseram por aí
E foi pessoa séria quem falou
Você tava mais querendo era me ver passar por aí

Eu... sei que você disse por aí
Que não tava muito bem seu novo amor
Você tava mais querendo era me ver passar por aí

Pois é...
Esse samba é pra você, ó, meu amor
Esse samba é pra você
Que me fez sorrir, que me fez chorar
Que me fez sonhar, que me fez feliz
Que me fez amar
"Does anybody else in here
Feel the way I do?"

Pink Floyd

que eu me finde

"Estou cansado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis"

Estou cansada de doer. Há sempre algo que dói tanto e tão profundamente que me cansa. É sempre a mesma dor a doer de maneira errada. Tudo me dói.
Passado, presente, futuro.
Sou um doer sem fim, doer a me findar. Essa dor é só minha e só eu sei do seu tamanho.

O que me dói não tem medida.

Lorena Borges

castelo

"Sabe, às vezes, eu me lembro de coisas assim, de muitas coisas, como essa da menina - como se houvesse uma parte de mim que não envelheceu e que guardou. Guardou tudo, até o príncipe que um dia não veio mais. Não, não foi um dia que ele não veio mais, foram muitos dias, em muitos dias ele não veio mais, a água do mar salgava a nossa boca, o sol queimava a minha pele, eu tinha impressão de ser de couro, um couro ressecado, mal curtido. (..) Não sei, não sei até hoje se o príncipe era um deles. Eu não podia saber, ele não falava. E, depois, ele não veio mais. Eu dava um cavalo branco para ele, uma espada, dava um castelo e bruxas para ele matar, dava todas as coisas e mais as que ele pedisse, fazia com a areia, com o sal, com as folhas dos coqueiros, com as cascas dos cocos, até com a minha carne eu construia um cavalo branco para aquele príncipe. Mas ele não queria, acho que ele não queria, e eu não tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo."

Caio Fernando Abreu

I'm so tired

I'm so tired, I haven't slept a wink
I'm so tired, my mind is on the blink
I wonder should I get up and fix myself a drink
No,no,no.

I'm so tired I don't know what to do
I'm so tired my mind is set on you
I wonder should I call you but I know what you would do

You'd say I'm putting you on
But it's no joke, it's doing me harm
You know I can't sleep, I can't stop my brain
You know it's three weeks, I'm going insane
You know I'd give you everything I've got
for a little peace of mind

I'm so tired I don't know what to do
"Fico vivendo uma vida toda pra dentro, lendo, escrevendo, ouvindo música o tempo todo."
Caio Fernando Abreu


Não há contos de fadas.
Apenas histórias reais, com pessoas reais.
Humanas.
"... quero que daqui pra frente a vida seja hoje. A vida não é adiável."


Não tenho orgulho.
(quanto sentidos cabem nessa frase?)

esperava avenca

"...você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente"

Caio Fernando Abreu

cheiro que não defino

"No fim destes dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços e você me beija e você me aperta e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem."

Caio Fernando Abreu

"Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez."

Caio Fernando Abreu

Toquei nas feridas e elas sangraram.
Ainda sangram.
Há algo que ainda dói.

É preciso aprender a ser sozinha.

sol

"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez"
Caio Fernando Abreu

passado próximo

"Tudo isso me perturbava porque eu pensara até então que, de certa forma, toda minha evolução conduzira lentamente a uma espécie de não-precisar-de-ninguém. Até então aceitara todas as ausências e dizia muitas vezes para os outros que me sentia um pouco como um álbum de retratos. Carregava centenas de fotografias amarelecidas em páginas que folheava detidamente durante a insônia e dentro dos ônibus olhando pelas janelas e nos elevadores de edifícios altos e em todos os lugares onde de repente ficava sozinho comigo mesmo. Virava as páginas lentamente, há muito tempo antes, e não me surpreendia nem me atemorizava pensar que muito tempo depois estaria da mesma forma de mãos dadas com um outro eu amortecido — da mesma forma — revendo antigas fotografias. Mas o que me doía, agora, era um passado próximo. "

Caio Fernando Abreu
"Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim"

Caio Fernando Abreu

pássaro

"Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora. Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio(...)"

Caio Fernando Abreu

sobre segredos

“Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio. (...)Guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo.”

Caio Fernando Abreu
Há sempre uma chaga nova.
É preciso ir em busca da cura.

LORENA FOI EMBORA

"(...)Me confunde os sentidos tentar compreender como pessoas tão distantes atropelam a geografia para demonstrar que semprem estiveram próximas. É um alento saber que a Lorena foi embora... fez história onde menos esperava e segue viva na lembrança de outros sonhadores. Tudo isso renova o fôlego para a caminhada, a despeito de todos os problemas."



È tarde e o sol morre na contramão
Quem sabe a nuvem pare o avião
Que o desamparo leve a saudade
O meu amor foi solidariedade
Os meus joelhos estão bem cuidados
Eu vejo anões por todos os lados
A ironia ainda desafina
Cada cabeça, uma guilhotina
Minto quando eu quero
Como é fácil negar
Não me desespero
Se ainda posso fugir
Dissimular ou desistir
Tudo o que resta agora
Lorena foi embora..
"Deixa, se fosse sempre assim
Quente, deita aqui perto de mim
Tem dias, que tudo está em paz
E agora os dias são iguais..

Se fosse só sentir saudade
Mas tem sempre algo mais
Seja como for
É uma dor que dói no peito"

pequenos demônios

"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: 'Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!'. Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um Deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"

Nietzsche
Nosso maior pecado foi o tédio.

nib

"E foi aí que tive a certeza, que mesmo sobre todos aqueles sofrimentos eu tivera feito a escolha certa. Eu sabia que desde o começo o cara com que estou agora é o cara certo. Não para namorar por um tempo indetermindo, mas para estar por toda uma vida. Mas soube disso, somente quando, prematuramente, me entreguei a ele.
Eu tinha certeza que era ele, como sempre soube no meu íntimo que seria, pois ele me envolvia numa sensação mágica, de que cada minuto ao seu lado seria mágico, assim como foi. Eternizei cada segundo, porque tudo era uma experiência nova. Pela primeira vez na vida eu estava ao lado de um cara que tinha orgulho, que admirava, e que finalmente achava bom o bastante para mim, até mesmo, muito mais que o bastante. Agora era eu quem assumia, como já dito anteriormente, a posição inferior, era eu quem deveria mostrar merecedora dele, era eu quem não deveria ser infantil.
Eu envolvi nosso relacionamento num sonho mágico, da qual não queria despertar nunca.
Me sentia incomensuravelmente insegura, criança e infantil. Sofria por isso, e muitas vezes o ciúmes me assolou, ciúmes do passado, porque eu era virgem, pura, inexperiente, e sempre segui a risca todas as regras. E me sentia estúpida por isto. Tinha medo de ser enganada, traída, trocada, não sei. Porque me doei de mais para este romance, mudei todos os meus caminhos traçados, desesti de todo um percurso que eu estava fazendo para viver o que estava para viver agora, com um cara que admirava tanto, e que, com sua simples presença me dava um impacto absurdo. Muitas vezes, ao seu lado, não soube onde por as mãos, o que falar, fazer, ficava até certo modo me controlando para que ele não percebesse o quão sem graça eu era/sou. Eu tinha medo de fazer alguma coisa errada, e ele ver que eu não era capaz de fazê-lo feliz, embora eu fosse capaz de ser feliz apenas por estar ao lado dele.

A gente não tinha muito assunto, e para preencher o vazio, nos beijávamos. E até mesmo o beijo era diferente, totalmente diferente de todos os que já experimentara, e com o tempo incrivelmente bom, porque combinava com ele. Um beijo ímpar para uma pessoa ímpar. Um beijo carregado de carinho, atenção, e porque não: amor.
Ele começou, então, a fazer parte da minha vida para sempre, porque o que vivemos, esse 'mundo bolha-mágico', estará sempre comigo.

E é com lágrimas nos olhos que percebo agora, o quanto eu lhe quero bem, e o quanto eu estava certa, em saber, quando decidi que rumo tomar meus relacionamentos, que você seria sempre o homem capaz de me fazer feliz, por mais que muitas vezes eu tenha imaginado que a mágica tenha se acabado, você, com um sorriso e um abraço a trouxe de volta.
Eu colocaria a minha felicidade em jogo, pela sua. Como já o fiz, e por vezes continuo a fazer.

Talvez esse retrospecto tenha virado agora uma declaração que jamais será ouvida. Pelo menos jamais será entendida na essência de que deva ser, porque é assim, meio sem nexo, e por impulsos desconexos que vou escrevendo essas linhas. Mas nada disso importa, porque essas linhas, se forem lidas, terão apenas uma leitora: eu. E se por acaso mais alguém as ler, se sinta vangloriado, porque então, guarda dentro de ti um pouco de mim, este 'mim' que lê esta carta agora."
(dezembro/2006)


E é deste texto escrito em 2006 e publicado aqui que retomo para o ponto final.
Porque mesmo depois de tudo o que vivi as minhas palavras e meus sentimentos são os mesmos que me envolviam: você continua a ser o homem que tanto quero bem, o homem que amo e sempre amerei, e que me faz feliz, mesmo não estando comigo agora. É o homem que eu sinto ciumes, raiva, amor, desespero, saudade, angústia, felicidade, solidão, tristeza, tédio, alegria.
É o homem que conseguiu despertar em mim todos os sentimentos que uma pessoa poderia sentir. É o homem que amo. E amo tanto e tão profundamente que o deixei livre, porque eu não poderia mais te acompanhar, e você já não me acompanhava mais.

Antes interromper o processo no meio e ficar com uma coisa boa do que com a certeza de algo ruim.
Esse foi o homem da minha vida. Esses foram os anos, os 27 meses e 3 dias mais importantes e intensos que tive até então. Esse foi você e eu, vivendo o que achavamos ser bom e certo.
O amor não acabou e continuará em mim sempre. Então porque interrompi o processo?

"Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor. "

E acabaria em dor, bem sei. E assim como foi mágico e perfeito o nosso início, queria que o final também fosse. Porque terminar em meio a mágoas e brigas quando poderíamos fazer com que o fim também fosse belo?
Eu o amarei para sempre. Embora saiba que o amor não acabou, as outras coisas essênciais foram morrendo aos poucos. Eu morri aos poucos, esqueci. Ele morreu, me esqueceu.
Já não havia expectativas, sonhos, confiança, risadas, cumplicidade, nostalgia, 'frio-na-barriga'. O que restara fora o amor e a comodidade.
Antes interromper o processo no meio e ficar com uma coisa boa, a certeza de que o amarei para sempre, e de que ele será para sempre o homem da minha vida. (mas é válido lembrar que o 'para sempre' não é todo dia)

E é sem poesia nenhuma, sem palavras bonitas e sem lágrimas que coloco aqui o meu ponto final.
Com alguma dor, profunda e dilacerante, que ainda hei de sentir. Uma dor que se tranformará em arrependimento na proxima vez em que eu o verei. Uma dor que, espero, se transforme na certeza de ter feito a coisa certa.
Não podia insistir em algo que eu saberia que não acabaria bem. Eu não poderia insistir no meu próprio fim.

"Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas... Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo."

E na novíssima leveza do ser, te amar eternamente. Como uma coisa boa.

Lorena Borges



...


É preciso colocar alguns pontos finais e virar a página.
Outra história nasce para ser contada.

morre de tédio

"o amor nunca morre de morte natural. morre porque nós não sabemos reabastecer sua fonte. morre de cegueira e dos erros e das traições. morre de doença e das feridas. morre de exaustão, das devastações, da falta de brilho."

Caio Fernando Abreu

REBELDIA


Soltem-me
as algemas


Quero
a minha alma livre
meu corpo livre
meu pensamento livre


Esbofetear o mundo
e cuspir
na vida

Manuela Amaral

- Oi, tudo bem?
- Tudo Bem...
...Fora o tédio que me consome,
todas as 24 horas do dia,
fora a decepção de ontem a decepção de hoje,
e a desesperança crônica no amanhã,
tenho vontade de chorar,
raiva de não poder,
quero gritar até ficar rouco,
quero gritar até ficar louco,
isso sem contar com a ânsia de vômito,
reação a tal pergunta idiota
...Fora tudo isso, tudo bem.

Desconhecido

que é essa saudade toda?

"Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.Eu prefiro viver a ilusão do quase, quando estou "quase" certa que desistindo naquele momento vou levar comigo uma coisa bonita. Quando eu "quase" tenho certeza que insistir naquilo vai me fazer sofrer, que insistir em algo ou alguém pode não terminar da melhor maneira, que pode não ser do jeito que eu queria que fosse, eu jogo tudo pro alto, sem arrependimentos futuros! Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor. Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe!”

Caio Fernando Abreu