cinza
"Tem dias que a gente se sente um pouco talvez, menos gente. Um dia daqueles sem graça, de chuva cair na vidraça. Um dia qualquer sem pensar, Sentindo o futuro no ar. O ar, carregado sutil, um dia de maio ou abril sem qualquer amigo do lado, sozinho em silêncio, calado com uma pergunta na alma: por que nessa tarde tão calma o tempo parece parado?"
(raul seixas)
Case Jex Smith
Sábado a noite em casa, computador, musica, tradução, trabalho, chá, pinga, celular e a cabeça cheia de coisa. Achei uma banda (Ayreon) no pc que não escutava há muito. E o interessante é que é uma banda que me marcou muito, te faz recordar toda uma sensação. Poderia jurar hoje que estou ainda em 2007, morando em Goiânia. Muita coisa se passou e guardo os mesmo velhos hábitos. Hoje eu nem me importaria de ficar a noite toda em casa sozinha. Sempre fui sozinha. Sou uma boa companheira para mim mesma. Tenho tantas cartas para escrever, tantos quadros para pintar, colagens pra fazer, relogios para enfeitar, agendas pra escrever e me basto com ele caneca de chá roubada um bar legal, com pessoas desconhecidas e agradáveis. Sinto falta dos velhos amigos e necessidade de novos. Tenho dificuldade de juntar 12 pessoas numa lista. E uma facilidade enorme para riscar alguns. Hoje, esse chá frio me basta, com minhas pantufas e alguma coisa boba para fazer.
Estúpido diário,
Toquei o céu azul, a tranquilidade e a segurança da minha pacata cidade por essa vida cinzenta belorizontina - antes tivesse sido só isso - troquei uma vida certa por esse emaranhado de incertezas.
Não poderia dizer que fiz a escolha certa e nem dizer que não deveria tê-la feito, apesar das dúvidas eu estou bem (ao menos irei ficar).
Aqui sempre acho que as coisas vão acontecer, assim vou vivendo um dia após o outro na esperança de que aconteçam (embora já tenha aprendido essa lição: nada vai acontecer). Sempre acho que estou a um passo da fama e a um centímetro da loucura. Vivo numa corda bamba segurando em uma mão uma sombrinha e na outra um monte de dúvidas. Pensar na minha cidade as vezes me acalma, é meu refúgio e um sentimento de que ainda me restam algumas certezas.
A nossa casa é onde o nosso coração está.
para as pessoas das feiras
Não que eu seja covarde. Mas eu tenho medo. Medo de muita coisa. Na verdade, nunca considerei o medo algo ruim, às vezes agradeço por ter medo de tanta coisa. O medo é o que me mantem viva. Se não fosse o medo de morrer atropelada eu atravessaria a rua sem olhar. Se não fosse o medo de perder o meu emprego, eu faltaria hoje para dormir mais. Se não fosse o medo das borboletas eu cultivaria largartas em casa.
Agradeço, o medo me mantem viva. Não fosse ele, talvez hoje eu seria uma prostituda, drogada, criminosa, ou qualquer outra coisa.
Um dia o medo salvou a minha vida. Tive medo de desobedecer meus pais, não entrei no carro. Dei sorte, pois as pessoas que não tiveram esse medo morreram entre as ferragens após serem prensadas por dois caminhões. O medo me salvou, não a obediência (nunca fui muito obediente). Uma vez tive medo de pular de ponta no rio. Não sei o que tinha no fundo, mas com certeza devia ter uma pedra pontuda querendo beijar minha testa. Não pulei. Ao invés disso fiquei sentada na beira com os pezinho na água. Não me arrependo, pois tive um beijo roubado e me casei (ainda bem que tive medo de pular no rio).
Certa vez eu não quis ter medo, e desci o morro de bicicleta sem as mãos e sem olhar o cruzamentos, bom... cai, quebrei o braço e coloquei 6 pinos. Eu devia ter tido medo.
Ter medo de muita coisa nunca me impediu de ser corajosa, são coisas diferentes. Pois eu tive coragem de aceitar o meu medo, o meu medo que me mantém viva. Tive coragem de sair de casa e ir morar sozinha, não tive medo. Tive coragem de comprar um sapato-boneca-borbo-flocado-trançado que custava a metade do meu salário, não tive medo. Tive coragem de saltar de para-pente num dia entediante, e diate daquela altura imensa não tive medo, apenas uma paz qualquer. Tive coragem de cortar relações na raiz e acabar de uma vez com o mal que me causava, não tive medo. Tive coragem de ir pra rodoviária, fechar os olhos e apontar para uma cidade e viajar, não tive medo, apenas uma excitação qualquer.
Mas o que mais me tira a coragem é ir à feira pela manhã para comprar maças.
(Tenho medo de escolher a errada.
Eu gosto das azedinhas)
Lorena Borges
texto de: ovenenoantimonotonia.blogspot
Sessão das 8
Ao chegar do interior
Inocente, pura e besta
Fui morar em Venda Nova
Tão longe mas que bosta,
Era a minha chateação...
Inocente, pura e besta
Fui morar em Venda Nova
Tão longe mas que bosta,
Era a minha chateação...
Estúpido diário,
Troquei o céu azul, o sol radiante e o clima ameno da minha cidade pacata pelo mórbido cinza belorizontino. Não posso dizer que estou feliz (essa não seria eu), mas estou bem. Aqui tem um pouco de Nova York: aquela cidade onde tudo pode acontecer. Onde a ilusão sustenta tudo e, assim, dá para viver um dia, depois o outro, depois o outro. Porque talvez seja amanhã ou daqui a um ano ou daqui a dez, nunca se sabe. Mas é preciso estar aqui porque aqui fica a um passo da fama, da glória e do impossível. (Mas essa lição eu já aprendi: nada vai acontecer)Talvez a Be esteja certa, não há NY fora de lá. O problema é que aquele lugar contamina e aquela vida de cachorro vicia e quando a gente sai, fica vendo a cidade em todo lugar e tem essa ilusão infantil de que lá a gente era feliz.
À distância, a beleza é absurdamente fácil.
Machismo por conveniência
Desisto.
Tá me escutanto? Eu desisto, I give up, j'abandonne, Ich gebe auf, Dò in su, Doy para arriba.
Isso mesmo, to dando meu emprego pra qualquer um. EU DESISTO!
Anda despertador, pode parar de gritar. Eu já desisti. Não vou levantar cedo hoje nem fudendo. Não quero. Não tenho mais forças. Quero virar uma cama por osmose e ser interrada de pijamas se me der na telha.
Quero ir no meu quintal, panhar as laranjas e fazer um suco. Assistir desenho animado (deus do céu, já nem sei o que é televisão, ainda mais desenho animado!). Se tivesse um cachorro eu o levaria para passear no parque. Até faria meu prório almoço hoje - não aguento mais restaurantes. Passaria intermináveis horas na cozinha preparando um salmão, fazendo arroz e uma torta alemã para a sobremesa. Alugaria uns filmes, quem sabe a tardinha eu iria para o clube, nadaria um pouco, ia para a sauna e depois encontrar com alguns amigos que já não vejo há tempos e conversaria sobre coisas agradáveis, até chegar em casa cansada depois de ter um dia tão agradável. Mas não, eu tenho que levantar, tomar banho, passar maquiagem, hidratante, escolher a roupa, o sapato, a bolsa, os acessórios, engatar a primeira marcha e com um sorriso falso encarar os 47 minutos de engarrafamento até chegar na empresa, ficar o dia inteiro com o telefone pregado na orelha resolvendo problemas que não são meus, servir café para os presidentes da empresa quando não tive nem tempo de fazer o meu!
Não, eu desisto! Tudo menos ter que engatar a marcha.
Eu bem que queria saber quem foi a infeliz que num dia de tédio inventou o feminismo e os direitos iguais só para passar o tempo. Ô mulherzinha infeliz! Só porque não gostava de usar sutiã e espartilho saiu por ai fazendo arruaça em busca de direitos iguais. Pra que? No tempo das nossas avós é que era bom! A vida era um curso de artesanato e culinária! Nossas preocupações eram apenas dar uma certa educação aos nossos filhos, pensar o que faríamos de almoço, trocar receitas com as amigas, bordar, visitar saraus, dar uma ajeitada na casa e esperar, lindas e poderosas (porque tivemos o dia inteiro para isso) os nossos maridos chegar em casa.
Não tinhamos que nos preocupar com a primeira marcha!
Conquistar nosso espaço? Pra que? Já tinhámos a nossa casa e o bairro inteiro, o que mais essa mentecapta queria? Tava na cara que isso não ia dar certo! Olha o tamanho do bícebs deles e os nossos! Não aguento mais! Eu abdico o meu posto de mulher moderna! Hoje descobri que eu nasci para cuidar da casa e do meu marido.
Quero alguém que abra o carro para mim, pague minhas contas, me mande flores e depois chegue em casa cansado de trabalhar, sente no meu sofá e me peça um café. Eu nasci para isso!
Troco o meu posto de mulher moderna por qualquer outro, Amélia, Rita, Capitu, Anita, Bárbara, qualquer um!
Só me deixem ficar de pijama hoje.
Lorena Borges
texto de: ovenenoantimonotonia.blogspot
Noir c'est noir
Noir c'est noir
Il n'y a plus d'espoir
Oui gris c'est gris
Et c'est fini, oh, oh, oh, oh
Ça me rend fou j'ai cru à ton amour
Et je perds tout
Je suis dans le noir
J'ai du mal à y croire
Au gris de l'ennui
Et je te crie, oh, oh, oh, oh
Je ferai tout pour sauver notre amour
Tout jusqu'au bout
Si un mot peut tout changer je le trouverai
Il ne faut plus en douter, il faut essayer
Noir c'est noir
Il n'est jamais trop tard
Pour moi du gris
J'n'en veux plus dans ma vie, oh, oh
Ça me rend fou de perdre ton amour
Je te l'avoue
Maintenant pour le sauver à tout je suis prét
A l'instant de la vérité pourquoi en douter
Noir c'est noir
Il me reste l'espoir
Oui gris c'est gris je n'veux plus d'ennuis, oh, oh
Ça vaut le coup de sauver notre amour
Rien que pour nous
De sauver notre amour
Rien que pour nous.
Il n'y a plus d'espoir
Oui gris c'est gris
Et c'est fini, oh, oh, oh, oh
Ça me rend fou j'ai cru à ton amour
Et je perds tout
Je suis dans le noir
J'ai du mal à y croire
Au gris de l'ennui
Et je te crie, oh, oh, oh, oh
Je ferai tout pour sauver notre amour
Tout jusqu'au bout
Si un mot peut tout changer je le trouverai
Il ne faut plus en douter, il faut essayer
Noir c'est noir
Il n'est jamais trop tard
Pour moi du gris
J'n'en veux plus dans ma vie, oh, oh
Ça me rend fou de perdre ton amour
Je te l'avoue
Maintenant pour le sauver à tout je suis prét
A l'instant de la vérité pourquoi en douter
Noir c'est noir
Il me reste l'espoir
Oui gris c'est gris je n'veux plus d'ennuis, oh, oh
Ça vaut le coup de sauver notre amour
Rien que pour nous
De sauver notre amour
Rien que pour nous.
ainda há alguma coisa
"Apesar dos nossos defeitos, precisamos enxergar que somos pérolas únicas no teatro da vida e entender que não existem pessoas de sucesso e pessoas fracassadas. O que existem são pessoas que lutam pelos seus sonhos ou desistem deles."
E eu tenho a infeliz mania de não desistir tão fácil.
Seria defeito insistir no erro ou uma qualidade por tentar além das forças?
Sempre acho que ainda há alguma coisa boa para ser vivida.
Dois dedos de vodka
Não, eu não fiquei a minha vida toda esperando um sentido para qualquer coisa. (Fecha a porta que agora é entre nós e só.) Tenho me sentido um pouco só, como se eu não soubessse a direção que deveria tomar. Então tomo vodka. É a única coisa que tem matado essa minha sede sei lá de que. Mas sem gelo, suco ou açucar, assim mesmo, vodka e só ela, transparente. Outro dia, num desses dias que a gente só quer morrer um pouco, coloquei um vinil antigo no som, sentei no sofá com uma garrafa ao lado e fiquei horas olhando o meu copo cheio daquele líquido transparente, tentando achar algum sentido qualquer em qualquer coisa. Percebi que em toda a minha vida eu havia sentido uma coisa: uma ingratidão profunda e uma solidão confortadora.
Lorena Borges
texto de: ovenenoantimonotonia.blogspot
Macau
Alguém já ouviu falar de Macau? Esse nome não tinha se passado em minha vida, e veio com tanta intensidade quando recebi um cartão-postal de lá. Mas que diabos alguém estaria fazendo em Macau? Aliás, onde fica essa porra? Eu nem sabia que era país! (aliás, nem sei ainda se é país, parece ser uma região do oriente, porque no cartão havia um monte daqueles simbolozinhos engraçados que os chineses e japoneses usam). Por mim era o nome de uma tribo indígena ou de uma currutela qualquer no Mato Grosso. Que diabos ela foi fazer em Macau, como ela foi parar lá? A infeliz sumiu de uma vez e me vem agora com um cartão-postal de lá. Nem sei que idioma falam! A maldita infeliz filha de uma rapariga vai embora e me manda apenas um cartão-postal, e eu com essa saudade toda. Mas era isso mesmo que ela queria não é? Essa saudade. Isso mesmo que ela sempre buscou, fazer falta. Pois então sinta-se feliz, eu aqui só com um cartão-postal e essa saudade.... e você aí em Macau, fazendo sabe-se lá o que (ó, e mestre google me mostra, lá eles falam português, será que também sofreram com a reforma ortográfica?) Talvez esteja comendo um camarão tomando um suco de alguma fruta exótica, enquando acende um cigarro e vê o por-do-sol, afinal aqui são 5 da manhã e eu perdi a noite toda de sono devido a um bendito cartão-postal de Macau.
É bom saber que num lugar distante alguém pensa em você...

Lorena Borges
texto de: ovenenoantimonotonia.blogspot
Lucas era chuva.
E assim como ela adquiria a intensidade que quisesse.
Lorena Borges
texto de: ovenenoantimonotonia.blogspot
Quando a gente começa a agradecer ao invés de amaldiçoar as coisas ficam muito mais fáceis.
Essa foi a primeira lição do ano. E não é conformismo não. É agradecer pela dor sim, pela dor de estar vivo. Agradesci pela dor que senti e hoje agradeço pela alegria!
To bem, to feliz, to forte, to até idiota de tão contente de pela primeira vez em muito tempo ter feito a coisa certa.
Lorena Borges
A mais nova velha amiga
Hoje eu sinto uma necessidade enorme em escrever.
Mas fiquei tanto tempo sem me deparar com as letras que não sei por onde começar, há tanta coisa. Não sei se tudo começou por cousa de um avião ou de um palavrão.
Ele perdeu o avião. Ele, hoje, perdeu a razão.
Poderia ficar brava por ele não ter sido forte, mas eu não tenho o direito de julgar ninguém. Justamente eu, que, por não ter sido forte causei tantas coisas.
De qualquer maneira hoje eu decidi viver, e a cada dia dessas férias eu tenho acordado e agradescido. Abro a janela e respiro. É bom viver, por mais que doa.
Já cheguei a beira da loucura muitas vezes, e essa noite eu cheguei novamente. Mas existem várias loucuras, e essa era uma loucura boa.
Porque era libertação.
Era assumir a burrice da minha vaidade que causou isso tudo.
Poderia ficar brava por ele não ter sido forte. Mas ele foi, ele teve a coragem de colocar tudo o que se passou em papel. Eu nunca tive a coragem de escrever, e tento só agora, de maneira confusa. Quem não sabe da história talvez nunca entenda o que escrevo e essa seja somente mais um texto consfuso. Mas creio que outras pessoas já passaram o que passamos, há sempre uma certa semelhaça em toda as histórias, creio eu.
Desde do começo foi muito sobre força. Mas é esta mesmo a questão? A vida é medida por momentos em que fomos fortes e momentos em que fomos fracos? A vida não tem medida.
Assim como as dores tambem não.
Não há medidas pois não podemos calcular o seu tamanho.
Hoje eu resolvi ser diferente, parei de pensar se fui forte ou fraca. Eu fui forte quando deveria ser forte e fui fraca quando deveria ser fraca. Não é uma aceitação boba, não é conformismo, eu apenas sei que fui o que deveria ter sido. Fui Lorena quando preciso, fui filha do Luiz quando convinha ou até mesmo irmã da Laryssa. Hoje, somente hoje, eu não tenho nome. Hoje eu fiz amizade comigo mesma e me convidei pra passear.
É bom estar em paz, ser uma boa companhia para você mesma. Acho que eu deveria ter feito amizade comigo mesma ha mais tempo.
Porque, hoje, ser sozinha não dói.
Lorena Borges
texto de: ovenenoantimonotonia.blogspot
Ausência
Quando eu falo de ausência eu quero é saber se você sente falta de se sentar comigo na varanda e ficar olhando o nada.
Se você sente falta do bom dia logo cedo.
Se você sente falta dos sorrisos e dos socos.
Se você sente falta da falta de assunto, do silêncio, do cantar desafinado.
Se você sente falta das piadas sem graça, das histórias sem fim e da imaginação fértil.
Se você sente falta das mudanças de canal a cada meio segundo.
Das pizzas de quatro queijo.
Dos chops, dos banheiros, dos pores-do-sol, dos picolés, das lágrimas, do colo, da chatisse.
Se você sente falta da minha falta de jeito numa festa com todos os seus amigos ou do meu tédio aos domingos.
Quando eu falo de ausência eu falo é desse nó no peito que sinto quanto to feliz, quanto to triste, quando to viva ou meio morta assim...
Se você sente falta do bom dia logo cedo.
Se você sente falta dos sorrisos e dos socos.
Se você sente falta da falta de assunto, do silêncio, do cantar desafinado.
Se você sente falta das piadas sem graça, das histórias sem fim e da imaginação fértil.
Se você sente falta das mudanças de canal a cada meio segundo.
Das pizzas de quatro queijo.
Dos chops, dos banheiros, dos pores-do-sol, dos picolés, das lágrimas, do colo, da chatisse.
Se você sente falta da minha falta de jeito numa festa com todos os seus amigos ou do meu tédio aos domingos.
Quando eu falo de ausência eu falo é desse nó no peito que sinto quanto to feliz, quanto to triste, quando to viva ou meio morta assim...
Lorena Borges
In a little while
Surely you'll be mine
In a little while... I'll be there
In a little while
This hurt will hurt no more
I'll be home, love
When the night takes a deep breath
And the daylight has no air
If I crawl, if I come crawling home
Will you be there?
In a little while
I won't be blown by every breeze
Friday night running to Sunday on my knees
That girl, that girl, she's mine
Well I've known her since,
Since she was
A little girl with thoes tiny eyes
When I saw her first in a pram they pushed her by
Oh my, my how you've grown
Well it's been, it's been... a little while
Surely you'll be mine
In a little while... I'll be there
In a little while
This hurt will hurt no more
I'll be home, love
When the night takes a deep breath
And the daylight has no air
If I crawl, if I come crawling home
Will you be there?
In a little while
I won't be blown by every breeze
Friday night running to Sunday on my knees
That girl, that girl, she's mine
Well I've known her since,
Since she was
A little girl with thoes tiny eyes
When I saw her first in a pram they pushed her by
Oh my, my how you've grown
Well it's been, it's been... a little while
U2
na hora da minha morte, amém
"Eu não estou esperando por esse homem que não é só esse mas todos e nenhum como uma sede do que nunca bebi sem forma de águas apenas na estreiteza do aquiagora eu espero por ele desde que nasci e desde sempre soube que na hora da minha morte misturando memórias e delírios e antevisões um pouco antes a última coisa que perguntarei seria um mas onde está mas onde esteve esse tempo todo (...) Então você sempre esteve aí uma vida de procuras sem te achar e silêncio para então morrer de morte morrida sem volta de vida gasta marcada de muitas cicatrizes de vida retalhada por muitos cortes mas nunca mortais a ponto de impedir este ridículo ate na hora de minha morte amém."
Caio Fernando Abreu
lúcida
Tenho tido sonhos muito vividos. Sinto o gosto, o cheiro, escuto coisas tão mais que reais que na própria realidade. Nos meus sonhos eu escrevo. O pior, nos meus sonhos eu sei escrever! Sou muito mais eu quando sonho, eu pareço viva. Sou muito mais real sonhando, tomo decisões que me são cabíveis, vivo com intensidade, sinto as coisas de uma maneira estraordinária, até as cores são mais vivas.
Tenho tido sonhos muito vividos.
Tenho vivido nos sonhos.
Lorena Borges
em construção
Eu não sei o que fazer de mim; então, hoje eu quis morrer. Mas só um pouquinho. Na verdade, quero todsos os dias, mas acabo permanecendo viva. Para o meu desespero, eu existo.
E tudo à minha volta me lembra essa existência: meus sapatos, as roupas que usei ontem e agora estão dobraas em cima da cadeira, os livros organizados na estante, a lista de tudo o que não fiz [nem vou fazer] pregada na porta da geladeira. E ele, o espelho. Que fique claro, eu não sou a imagem do espelho. Ela aparece pronta a cada vez que eu me aproximo dele.
Isso está errado. Quando eu olhar no espelho, leia-se: em construção.
Eu queria me encontrar assim, no susto, virando a esquina e dando de cara comigo:
- Oi!
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