quero o vento.
Túlio foi tempestade.
Veio com uma força imensa, de repente, e foi destruição.

Não há mais dor (:
Vivo a vida mais levemente.


Por isso há tão pouco a ser dito, ando preferindo gastar meu tempo vivendo.

o que é irreal

"- Amor não é necessariamente paixão e romance. Também tem a ver com companheirismo e é como um amortecedor para a solidão, creio.
- Isso é importante, ter alguém com quem envelhecer. O que mata a maioria das pessoas são as expectativas irreais."

(Sally/Jack)
Houve tanta coisa a ser dita, mas dessa vez vou preferir o doce sinlêncio.
Guardo para mim essa paixão silenciosa.

pretérito perfeito

Eu já fui loucamente apaixonada
Depois eu fui apaixonada.
Depois eu fui.

pretérito imperfeito

Eu me tornei uma pessoa comum.
Eu não sei usar meias-palavras.
Eu sigo as minhas vontades.

Isso tudo me faz uma pessoa pior? Hoje eu aprendi que há sempre dois lados. Não há verdades, não ha certezas, não ha o certo. Há sempre duas versões.
Hoje eu aprendi a respeitar o que os outros acham certo, pois é certo para eles por mais que não seja para mim. O meu certo não é o seu certo. E se for, que grande maravilha.

Eu to só garantindo o hoje.
Amores serão sempre amáveis.

E sim, pareço viver no passado. Mas eu estou só garantindo o hoje. Se pudesse eu ficaria parada em outubro passado. Se duas pessoas tem a mesma vontade, porque então ignorar tudo isso?
Encortar aos 28 parece errado quando poderiamos nos encontrar aos 20.

"Ventos do norte não movem moinhos."

Há sempre uma certa saudade escondida.
Amores serão sempre amáveis.

then I aks myself the same question

I alway wonder why birds choose to stay in the same place,
when they can fly enywhere on the earth

then I ask myself the same question.



Eu me tornei uma pessoa comum.
Quanta besteira.
Anda. Eu to agoniada.
Faz qualquer coisa e me salva.

eu estou a espera.

eu juro que salvaria.
anda.....
Só quero que você venha, me traga uma margarida, me abrace e diga: "É só uma fase ruim, viver vale a pena, só de sentir o vento e sentir o abraço, você é especial para alguém."

só isso, e eu sorriria.
To cansada das pessoas.

Adeus você

"Adeus você
Eu hoje vou pro lado de lá
Eu tô levando tudo de mim
Que é pra não ter razão pra chorar
Vê se te alimenta
E não pensa que eu fui por não te amar

Cuida do teu
Pra que ninguém te jogue no chão
Procure dividir-se em alguém
Procure-me em qualquer confusão
Levanta e te sustenta
E não pensa que eu fui por não te amar

Quero ver você maior, meu bem
Pra que minha vida siga adiante

Adeus você
Não venha mais me negacear
Teu choro não me faz desistir
Teu riso não me faz reclinar
Acalma essa tormenta
E se agüenta, que eu vou pro meu lugar

É bom...
Às vezes se perder
Sem ter porque
Sem ter razão
É um dom...
Saber envaidecer
Por si
Saber mudar de tom

Quero não saber de cor, também
Pra que minha vida siga adiante"
"Where were you when I was burned and broken
While the days slipped by from my window watching
Where were you when I was hurt and I was helpless
Because the things you say and the things you do surround me

While you were hanging yourself on someone else's words
Dying to believe in what you heard
I was staring straight into the shining sun

Lost in thought and lost in time
While the seeds of life and the seeds of change were planted
Outside the rain fell dark and slow
While I pondered on this dangerous but irresistible pastime
I took a heavenly ride through our silence
I knew the moment had arrived
For killing the past and coming back to life


I took a heavenly ride through our silence
I knew the waiting had begun
And headed straight...into the shining sun"

Rancor

Eu fiquei por dias procurando a o substantivo certo para definir toda essa amargura: chateação, mágoa, tristeza, melancolia, e, de súbito me veio a definição certa:

Rancor. 1. Ressentimento profundo e reservado decorrente de mágoa que se sofreu sem protesto.

Finalmente a definição exata desse taquicardia, desse nó. Se há a definição exata em um dicionário creio eu, então, que esse deve ser um sentimento ha muito conhecido e sentido. E deve haver uma cura.

Estou a procura da cura, embora já saiba que tudo depende de perdão. Mas como perdoar alguém que pisou e te humilhou quando você mais precisou de ajuda?
Adeus, amor.
Não quero mais humilhação.

Deixa-me apenas com essa palpitação.
E no final fica uma mágoa profunda.
As coisas não podem ficar bem.
Pois ficar bem signfica esperança.
Cada um tem a crise existencial que merece.

O que nunca será dito.

De todas as coisas que eu inventei você foi a mais bonita. As vezes tenho uma esperança enorme de que as coisas aconteçam - embora eu saiba que nada vai acontecer. Mas fico na esperança de que algum dia elas sejam diferentes, na esperança de uma conversa qualquer ou de um olhar. Já imaginei todos os diálogos possíveis. Isso não é ridículo? Viver um amor tão completo apenas na imaginação? Acho que no fim eu devo ser mesmo ridícula, sempre me apego a coisas que não existem, ou melhor só existem aqui. E por mais ridículo que seja tudo isso eu ainda tenho esperança, não sei porque. Talvez porque eu saiba que se acontecesse daria certo - daria muito certo. Principalmente pelo fato de que nunca esperei nada de você, nem as coisas que eu inventei geram alguma expectativa sobre você. Tudo o que quis foi apenas uma oportunidade, porque sei que só isso seria suficiente. O fato é que nunca consegui invetar mais do que como tudo começaria, não consegui ir além do inicio da amizade, porque sei que depois disso a gente mesmo se encarrega, porque daria certo - sem nenhuma expectativa. De qualquer forma, mesmo sem saber, você já é parte de mim. E se nada acontecer, espero pelo dia em que apenas direi: - Você é importante para alguém apenas pelo fato de existir. Obrigada.E darei as costas para seguir o meu caminho, tendo certeza de que você não se esquecerá disso.

De todas as coisas que eu inveitei você foi a mais bonita.
E no final quem se importa?

Eu vejo que aprendi
O quanto te ensinei
E é nos teus braços que ele vai saber
Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez

O que fazes sem pensar aprendeste do olhar
E das palavras que guardei pra ti
Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim

Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Já que não me entendes, não me julgues
Não me tentes
O que sabes fazer agora
Veio tudo de nossas horas
Eu não minto, eu não sou assim
Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava a teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa,meu amor
Alguma coisa aconteceu
Do ventre nasce um novo coração

Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso

Vale mais o coração
Ninguém sabia, ninguém viu
Que eu estava ao teu lado então

Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor
Baby, baby, baby, baby

O que fazes por sonhar
É o mundo que virá prá ti e prá mim
Vamos descobrir o mundo juntos baby
Quero aprender com o teu pequeno grande coração
Meu amor, meu Chicão...

É preciso ter uma certa fé no futuro.
"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco."

(Gabriel Garcia Marquez)

Ao gosto de agosto.

'Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir, dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições(...) Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados. Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques - tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informações para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire, a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas - coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo, evasão, escapismos, explícitos.'

(Caio Fernando Abreu)


Eu inventei meu amor de agosto.
Ao gosto do meu gosto.

Ou pelo menos inventei a situação e todos os passeios.
Sem freios.

Segunda consideração:

Muita coisa fica.
Inclusive uma mágoa profunda.

Primeira consideração:

E no final, o que é que fica?

Lutar sempre
Vencer as vezes
Desistir nunca.

Eu era feito a maça pobre do furteiro.




Tinha que ser jogada fora, pra preservar todo o resto.

cinza

"Tem dias que a gente se sente um pouco talvez, menos gente. Um dia daqueles sem graça, de chuva cair na vidraça. Um dia qualquer sem pensar, Sentindo o futuro no ar. O ar, carregado sutil, um dia de maio ou abril sem qualquer amigo do lado, sozinho em silêncio, calado com uma pergunta na alma: por que nessa tarde tão calma o tempo parece parado?"

(raul seixas)
Pensando bem, talvez eu fosse alguma coisa ruim...
I'm waiting for the rain to wash who I am...
Eu tenho só 20 anos
(hoje essa frase é válida)
Eu tenho só 19 anos
(hoje essa frase é válida)
"(...)Porque sempre chega um momento em que até o bom se torna insuportável."

Case Jex Smith

Sábado a noite em casa, computador, musica, tradução, trabalho, chá, pinga, celular e a cabeça cheia de coisa. Achei uma banda (Ayreon) no pc que não escutava há muito. E o interessante é que é uma banda que me marcou muito, te faz recordar toda uma sensação. Poderia jurar hoje que estou ainda em 2007, morando em Goiânia. Muita coisa se passou e guardo os mesmo velhos hábitos. Hoje eu nem me importaria de ficar a noite toda em casa sozinha. Sempre fui sozinha. Sou uma boa companheira para mim mesma. Tenho tantas cartas para escrever, tantos quadros para pintar, colagens pra fazer, relogios para enfeitar, agendas pra escrever e me basto com ele caneca de chá roubada um bar legal, com pessoas desconhecidas e agradáveis. Sinto falta dos velhos amigos e necessidade de novos. Tenho dificuldade de juntar 12 pessoas numa lista. E uma facilidade enorme para riscar alguns. Hoje, esse chá frio me basta, com minhas pantufas e alguma coisa boba para fazer.

"vimos uma margarida e nem sequer era primavera e disseste que margarida era amarelo e branco e eu disse que branco era paz e disseste que amarelo era desespero e dissemos quase juntos que margarida era então desespero cercado de paz por todos os lados"


Estúpido diário,

Toquei o céu azul, a tranquilidade e a segurança da minha pacata cidade por essa vida cinzenta belorizontina - antes tivesse sido só isso - troquei uma vida certa por esse emaranhado de incertezas.
Não poderia dizer que fiz a escolha certa e nem dizer que não deveria tê-la feito, apesar das dúvidas eu estou bem (ao menos irei ficar).
Aqui sempre acho que as coisas vão acontecer, assim vou vivendo um dia após o outro na esperança de que aconteçam (embora já tenha aprendido essa lição: nada vai acontecer). Sempre acho que estou a um passo da fama e a um centímetro da loucura. Vivo numa corda bamba segurando em uma mão uma sombrinha e na outra um monte de dúvidas. Pensar na minha cidade as vezes me acalma, é meu refúgio e um sentimento de que ainda me restam algumas certezas.

A nossa casa é onde o nosso coração está.
Quem dera se somente amor fosse a resposta pra tudo.
Hoje eu coloquei o relógio no pulso errado,
e todas as coisas aconteceram ao contrário.
para as pessoas das feiras


Não que eu seja covarde. Mas eu tenho medo. Medo de muita coisa. Na verdade, nunca considerei o medo algo ruim, às vezes agradeço por ter medo de tanta coisa. O medo é o que me mantem viva. Se não fosse o medo de morrer atropelada eu atravessaria a rua sem olhar. Se não fosse o medo de perder o meu emprego, eu faltaria hoje para dormir mais. Se não fosse o medo das borboletas eu cultivaria largartas em casa.
Agradeço, o medo me mantem viva. Não fosse ele, talvez hoje eu seria uma prostituda, drogada, criminosa, ou qualquer outra coisa.
Um dia o medo salvou a minha vida. Tive medo de desobedecer meus pais, não entrei no carro. Dei sorte, pois as pessoas que não tiveram esse medo morreram entre as ferragens após serem prensadas por dois caminhões. O medo me salvou, não a obediência (nunca fui muito obediente). Uma vez tive medo de pular de ponta no rio. Não sei o que tinha no fundo, mas com certeza devia ter uma pedra pontuda querendo beijar minha testa. Não pulei. Ao invés disso fiquei sentada na beira com os pezinho na água. Não me arrependo, pois tive um beijo roubado e me casei (ainda bem que tive medo de pular no rio).
Certa vez eu não quis ter medo, e desci o morro de bicicleta sem as mãos e sem olhar o cruzamentos, bom... cai, quebrei o braço e coloquei 6 pinos. Eu devia ter tido medo.
Ter medo de muita coisa nunca me impediu de ser corajosa, são coisas diferentes. Pois eu tive coragem de aceitar o meu medo, o meu medo que me mantém viva. Tive coragem de sair de casa e ir morar sozinha, não tive medo. Tive coragem de comprar um sapato-boneca-borbo-flocado-trançado que custava a metade do meu salário, não tive medo. Tive coragem de saltar de para-pente num dia entediante, e diate daquela altura imensa não tive medo, apenas uma paz qualquer. Tive coragem de cortar relações na raiz e acabar de uma vez com o mal que me causava, não tive medo. Tive coragem de ir pra rodoviária, fechar os olhos e apontar para uma cidade e viajar, não tive medo, apenas uma excitação qualquer.

Mas o que mais me tira a coragem é ir à feira pela manhã para comprar maças.



(Tenho medo de escolher a errada.
Eu gosto das azedinhas)

Lorena Borges

Sessão das 8

Ao chegar do interior
Inocente, pura e besta
Fui morar em Venda Nova
Tão longe mas que bosta,
Era a minha chateação...
Comprei novos óculos de sol,
e os dias estão nublados...

Estúpido diário,

Troquei o céu azul, o sol radiante e o clima ameno da minha cidade pacata pelo mórbido cinza belorizontino. Não posso dizer que estou feliz (essa não seria eu), mas estou bem. Aqui tem um pouco de Nova York: aquela cidade onde tudo pode acontecer. Onde a ilusão sustenta tudo e, assim, dá para viver um dia, depois o outro, depois o outro. Porque talvez seja amanhã ou daqui a um ano ou daqui a dez, nunca se sabe. Mas é preciso estar aqui porque aqui fica a um passo da fama, da glória e do impossível. (Mas essa lição eu já aprendi: nada vai acontecer)Talvez a Be esteja certa, não há NY fora de lá. O problema é que aquele lugar contamina e aquela vida de cachorro vicia e quando a gente sai, fica vendo a cidade em todo lugar e tem essa ilusão infantil de que lá a gente era feliz.

À distância, a beleza é absurdamente fácil.
Por-do-sol  nosso de cada dia.

Machismo por conveniência

Desisto.
Tá me escutanto? Eu desisto, I give up, j'abandonne, Ich gebe auf, Dò in su, Doy para arriba.
Isso mesmo, to dando meu emprego pra qualquer um. EU DESISTO!
Anda despertador, pode parar de gritar. Eu já desisti. Não vou levantar cedo hoje nem fudendo. Não quero. Não tenho mais forças. Quero virar uma cama por osmose e ser interrada de pijamas se me der na telha.
Quero ir no meu quintal, panhar as laranjas e fazer um suco. Assistir desenho animado (deus do céu, já nem sei o que é televisão, ainda mais desenho animado!). Se tivesse um cachorro eu o levaria para passear no parque. Até faria meu prório almoço hoje - não aguento mais restaurantes. Passaria intermináveis horas na cozinha preparando um salmão, fazendo arroz e uma torta alemã para a sobremesa. Alugaria uns filmes, quem sabe a tardinha eu iria para o clube, nadaria um pouco, ia para a sauna e depois encontrar com alguns amigos que já não vejo há tempos e conversaria sobre coisas agradáveis, até chegar em casa cansada depois de ter um dia tão agradável. Mas não, eu tenho que levantar, tomar banho, passar maquiagem, hidratante, escolher a roupa, o sapato, a bolsa, os acessórios, engatar a primeira marcha e com um sorriso falso encarar os 47 minutos de engarrafamento até chegar na empresa, ficar o dia inteiro com o telefone pregado na orelha resolvendo problemas que não são meus, servir café para os presidentes da empresa quando não tive nem tempo de fazer o meu!


Não, eu desisto! Tudo menos ter que engatar a marcha.


Eu bem que queria saber quem foi a infeliz que num dia de tédio inventou o feminismo e os direitos iguais só para passar o tempo. Ô mulherzinha infeliz! Só porque não gostava de usar sutiã e espartilho saiu por ai fazendo arruaça em busca de direitos iguais. Pra que? No tempo das nossas avós é que era bom! A vida era um curso de artesanato e culinária! Nossas preocupações eram apenas dar uma certa educação aos nossos filhos, pensar o que faríamos de almoço, trocar receitas com as amigas, bordar, visitar saraus, dar uma ajeitada na casa e esperar, lindas e poderosas (porque tivemos o dia inteiro para isso) os nossos maridos chegar em casa.
Não tinhamos que nos preocupar com a primeira marcha!
Conquistar nosso espaço? Pra que? Já tinhámos a nossa casa e o bairro inteiro, o que mais essa mentecapta queria? Tava na cara que isso não ia dar certo! Olha o tamanho do bícebs deles e os nossos! Não aguento mais! Eu abdico o meu posto de mulher moderna! Hoje descobri que eu nasci para cuidar da casa e do meu marido.
Quero alguém que abra o carro para mim, pague minhas contas, me mande flores e depois chegue em casa cansado de trabalhar, sente no meu sofá e me peça um café. Eu nasci para isso!


Troco o meu posto de mulher moderna por qualquer outro, Amélia, Rita, Capitu, Anita, Bárbara, qualquer um!
Só me deixem ficar de pijama hoje.


Lorena Borges