ficaria, horas e horas a fio, como já o fez. sentindo a sua respiração no meu rosto. dos rostos se abraçando entrelaçados. o toque da carne sensível na minha carne sensível. enrolar de corpos, fluidos. troca de lados, de tatos. respiração. ofegante. bailando juntos o teu corpo no meu. trocando assim, com a línguas carícias sinceras. sentindo seu lábio, correndo devagar o mais sensível de mim. me impedindo de gemidos, gestos, palavras. minutos a fio, horas. conectados pelo sabor um do outro. fluidos. e esta seria a única conexão corporal estabelecida. mas que parece conectar com o mais intimo de nós.
falo de beijo.
beijemos mais.
sem pressa.
beijo. apenas beijo.
falo de beijo.
beijemos mais.
sem pressa.
beijo. apenas beijo.
animal
me embrigado. noites e dias seguidos na boemia. como se necessitasse adormecer ou acordar algo. encho o sangue de álcool. raleio. como quem raleia os sentimentos. fazendo-os, mais fracos, mas também maiores. paradoxo. porque não poderia ser diferente. a boemia que não lhe pertencia, mas era tão sua. como os cigarros que começou a fumar e não eram seus. os experiências que começou a apropriar de forma tão animalesca para que assim, feito animal irracional fossem suas. mas era tudo premeditado. calculado. pensado. friamente. subconscientemente. queria se apropriar de experiencias, cigarros, cervejas, corpos, falos, bocetas. que não eram suas. mas lhe pertenciam. como se assim. se só assim pudesse, de alguma maneira, pertencê-lo. se jogava no que não era. nas aventuras que não eram suas, mas eram tão suas. porque ele não era seu. mas era tão seu. feito bicho.
"de repente, valerie levantou a cabeça e começou a conversar comigo. falava rápido, ansiosa.
- valerie - eu a interrompi - a gente não precisa conversar. a gente não tem que conversar." (c.b)
esses primeiros encontros sempre me atormentam. o que vamos conversar. esse é meu grande medo. de quando, pelo nervosismo e ansiosidade, o clima pesa. e você arranja palavras, como que para cortar a atmosfera pesada que se cria. é o medo absurdo das primeiras amizades e amores. esse laço que vai ser criado. e tudo depende das primeiras palavras. do primeiro assunto. a primeira conversa. converso nervosamente. rápido. sem fim. em meio a risos. nervosos. mas a gente não tem que conversar. e se o silêncio não pesa. ai sim, cria-se laços. a gente não precisa conversar.
aos 24 comecei a cuidar da pele. mãos e rosto principalmente. uma noção especifica da juventude embarca. tenho que aproveitar as coisas da juventude agora que sou jovem, agora que o peso do tempo não pesa tanto. e o corpo ainda está em sua forma. mas me preocupo. como nunca antes, com a pele hidratada. a elasticidade que tem que ser atenta todos os dias. aos exercícios que torneiam. aos cremes que evitam rugas. as cervejas que podem, irresponsavelmente, serem tomadas no meio da semana. uma vontade de me fotografar. nua. em pelo auto-retratos para a eternidade. para que eu não me esqueça como fui. no auge dos meus 20 anos. guardo aquela nostalgia melancólica que das mulheres maduras ao olharem suas fotos da juventude. a percepção olha o agora de um tempo relapso distante. já tenho saudade dos meus vinte. já sinto o peso do tempo no corpo. corpo que só agora, tardiamente, comecei a conhecer, respeitar, acariciar, admirar e gostar.
corpo que cai.
corpo que cai.
"Marcos é gay em São Francisco, negro na África do Sul, asiático na Europa, hispânico em San Isidro, anarquista na Espanha, palestino em Israel, indígena nas ruas de San Cristóbal, roqueiro na cidade universitária, judeu na Alemanha, feminista nos partidos políticos, comunista no pós-guerra fria, pacifista na Bósnia, artista sem galeria e sem portfólio, dona de casa num sábado à tarde, jornalista nas páginas anteriores do jornal, mulher no metropolitano depois das 22h, camponês sem terra, editor marginal, operário sem trabalho, médico sem consultório, escritor sem livros e sem leitores e, sobretudo, zapatista no Sudoeste do México. Enfim, Marcos é um ser humano qualquer neste mundo. Marcos é todas as minorias intoleradas, oprimidas, resistindo, exploradas, dizendo ¡Ya basta! Todas as minorias na hora de falar e maiorias na hora de se calar e aguentar. Todos os intolerados buscando uma palavra, sua palavra. Tudo que incomoda o poder e as boas consciências, este é Marcos."
assustei com a campainha. como sempre. e logo escutei o barulho da chave girando na fechadura. a minha espera já tinha começado há mais tempo. logo quando nos encontramos pela primeira vez. a minha espera começou logo naquele dia. e logo naquele dia, silenciosamente, lhe dei a chave. mas antes era uma chave fictícia e simbólica. nem eu sabia que tinha dado. nem ele sabia que tinha recebido. a campainha tocada como num susto, sempre antes de abrir a fechadura. era um modo gracioso de pedir licença. embora não tenha pedido licença para entrar em minha vida. nem permissão. ou qualquer outra coisa. na vida, ao contrário da casa, já foi entrado, servindo café, ligando o som. na vida foi assim. entrando completo, sem pedir licença ou esperar uma recusa, veio fininho, mansinho e espaçoso. e ligou o som. embalando o que éramos em canções. entrou na casa e no coração feito sol da manhã, beijando docemente quem eu ainda me construía. depois parou de abrir a fechadura e também parou de tocar a campainha. deu adeus à casa e ao coração. devolveu a chave e nunca mais trancou ou abriu a porta.
foi caminhando mais a frente distraidamente com pressa. como se tivesse medo que o sol voltasse, e assim, apressava o passo para aproveitar melhor o passeio. o dia estava para ela. assim, cedo, vazio, nublado. como há muito em sua vida. andava distraidamente. segurando os chinelos na mãos, e nos pés a areia molhada. a cada onda, deixava um sentimento ir embora. caminhava a frente com pressa, por que sentia uma necessidade de caranguejo. agilizar o que estava por vir. me disse: 'a vida começa aos cinquenta'. deu um sorriso, e foi caminhando, aproveitando o passeio que agora era só dela. não queria companhia em seu caminhar. há muito vivera em função dos outros. filhos, marido, emprego. 'a vida começa aos cinquenta'. aposentada. filhos criado. marido criado também. agora podia, enfim, caminhar a frente com os pés molhados na praia que era só dela. afinal, 'a vida começa aos cinquenta'.
coloca o seu chapéu. assim, bem tampando a cara. bem em frente ao teu rosto que é para eu me esquecer dos seus traços. ficar apenas com os traços da memória, que se traem, se inventam. isso, tampa o rosto. apaga esse rosto. que quero ficar apenas com a memória. os segredos que sei. as linhas do seu rosto, as rugas. as pintas. que invento. tampa esse rosto sem memória. que é essa a foto que quero colocar no meu porta retratos. como se, entre seu rosto e o chapéu, assim como você mantém, escondendo o rosto, fica guardado o segredo dos seus olhos. fica guardado o silêncio que nos mantém. guarde assim o seu rosto. que é assim que te guardo. na memória. que é assim que quero este retrato. o segredo do que se tem além do chapéu. o segredos que já fomos nós, e não mais seremos. guardo na memória o seu rosto. guardo na memória o meu rosto. guardo. no fundo da memória. atrás do chapéu, que é para não me tirar o foco do agora.
(ps. a poética dos textos é serem fictícios. parei um tempo de escrever, por que confundiam a ficção com o real. aqui não é o espaço do real. se quer encontrar o real, tome um café comigo.)
(ps. a poética dos textos é serem fictícios. parei um tempo de escrever, por que confundiam a ficção com o real. aqui não é o espaço do real. se quer encontrar o real, tome um café comigo.)
not this time,but
i wont glorify or romanticese hertbreak
for me it was a kind of death
and i was forced to keep living
for me it was a kind of death
and i was forced to keep living
It's a long way
Arrenego de quem diz
Que nosso amor se acabou
Ele agora está mais firme
Do que quando começou
Se você é jovem, deveria estar nas ruas protestando. E eu, mais uma vez, não consigo me encaixar. Os pássaros no céu dão vez aos helicópteros que não cessam.
A França de hoje não é o que é graças ao pacifismo. Hoje vejo o pacifismo como uma ferramenta de opressão. A mídia não parar de reforçar o pacifismo, de ressaltar as manifestações como protestos de paz. e os próprios manifestantes tem rechaçado a violência. Mas revoluções não são feitas apenas com cartazes em punho. Se estamos em luta por um Brasil melhor e por mudanças devemos dar a cara a tapa. Devemos ver que esse pacifismo que a mídia impõe é uma ferramenta de opressão. Querem nos dar o direito ao protesto, mas não querem nos dar o direito à revolução. A violência está aí e acontece todos os dias. Todos os dias somos mortos, violentados, estuprados pelo governo que não mais nos representa. Estamos num ponto em que se continuarmos nesse pacifismo opressor nossos protestos se tornarão um carnaval temporão. É preciso lutar, invadir símbolos políticos, violentar o Estado que nos violenta. Tomar as câmaras, os palácios, as sedes governamentais que são nossas. É preciso invadir os órgãos administrativos públicos que são nossos por direito. As bancas de jornais nas ruas não tem nada a ver com isso. As lojas de trabalhadores também oprimidos não tem nada com isso. Mas a Cidade Administrativa é nossa. É preciso invadir os símbolos do poder governamental. Por que nós somos o poder. Nossa violência deve ser direcionada. Não contra policiais, lojas, ônibus, mas contra os símbolos políticos. O pacifismo opressor não me representa. Não me liberta. Não muda. Não muda nossa condição. É preciso lutar e ir em frente. Sem medo de bombas de efeito moral. Por que minha moral está intacta. Que as bombas de efeito moral caiam e ataquem os políticos e a mídia que nos oprime ao impor a passividade. A história foi marcada por guerras. E foram elas que causaram mudanças e rupturas. A Bastilha não foi tomada pacificamente com cartazes. Constantinopla não foi tomada por cartazes. Independências não foram feitas com cartazes.
Nossa mudança não será feita com cartazes.
Assinar:
Postagens (Atom)









.jpg)


.jpg)












