estação
Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho
Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça
Mário Cesariny
Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho
Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça
Mário Cesariny
de profundis amamus
Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria
Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros
Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes
O Público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso
Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso
Mário Cesariny
you are welcome to elsinore
Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
Mário Cesariny
Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
Mário Cesariny
lembra-te
Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos
Mário Cesariny
Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos
Mário Cesariny
2014
São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Patos de Minas, Casa de Pedra, Furnas, Formiga, Manaus, Rio Preto da Eva, Urucurituba, Silves, Foz do Iguaçu, Ciudad fel Leste, Porto Iguassú, Medianeira, Santa Helena, Missal, Diamante D'Oeste, Itaipulandia, São José das Palmeiras, Buenos Aires, Montevideo, Chuí, Pelotas, Florianópolis, Balneário Camboriú, Penha, Navegantes, Curitiba, Morretes, Maceió, Caruaru, Bezerros, Gravata, Recife, Olinda, Camocim de São Félix, Barra de Guabiraba, Sairé, São Joaquim do Monte, Altinho, Cupira, Panelas, Maragogi, Santa Rosa do Piauí, Nazaré do Piauí, Itaueiras, Flores do Piauí, Rio Grande do Piauí, Canto do Buriti, Manoel Emídio, Canavieira, Floriano, Parnaíba, Luis Corrêa, Granja, Jijoca de Jericoacoara, Sobral, Teresina, Porto Alegre do Piauí, Guadalupe, Jerumenha, Santa Luzia, Uberaba, Aldeia Velha, Juiz de Fora, Lagoa Santa, São José da Serra.
"Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja. Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. " g.g.m
tinha as perninhas tortas. e os ossos bem aparentes. um sorriso tímido qualquer. e pensava, que por suas perninhas tortas e seus ossinhos aparentes ninguém nunca a notaria. ou notaria, mas para caçoar dela. como os meninos poderiam ter olhos para tantos ossos pregados à pele? usava do seu sorriso, o seu tagarelar constante, como que para esconder a falta de carne a preencher. teve um primeiro amor, que na amizade se esquivou. teve um segundo amor. e que surpresa ao perceber que era correspondida. era correspondida? certo que não. era o menino mais bonito da sala. certo que correspondia como uma maneira de brincar com ela. que caçoar daquelas pernas tornas. das duas calças que usava na escola para dar um preenchimento que a carne não lhe dava. teve outros amores. e correspondiam todos. e ela sempre a imaginar que era uma forma de fazer piada com os ossos delas. a sorridente menina, amiga dos meninos. que teria de interessante nela? a menina cheia de ossos foi crescendo, e pelos seus olhos de gaivota foi vendo o fascínio dos meninos pelos seus ossos. pelos olhinhos miúdos que se escondiam na cara cheia de sardinhas. e inocentemente a menina das perninhas tortas foi conquistando corações. os mais impossíveis e difíceis ela colecionava. até que um dia, por escolha, decidiu entregar seu sentimento mais bonito, entregar todo o seu coração,s eu destino, seu futuro, seu cheiro a um menino, também menino, também de pernas tortas, também de ossos aparentes e cheiro escondido.
e este foi o primeiro menino que a menina não conquistou.
texto perdido entre meus cadernos.
em algum momento de 2009.
mas me doía tanto, tanto, que nem mesmo sabia de onde vinha tamanha dor. apenas doía, fundo e agudo e me confundia. era tamanha dor que eu ia perdendo a noção das coisas. perdera até mesmo a noção de quem era e do que fazia, apenas ia fazendo seguindo um extinto que nascia sei lá de onde.eu era extinto. pura sobrevivência e com essa tamanha dor eu tinha apenas uma sobre-vida. eu era dor, aguda , confusa. e de toda aquela confusão, pessoas correndo de um lado para o outro, gritos, choros, soluços, e no meio daquela confusão vi uns pés assim juntinhos, parados, tímidos. vi uns pés negros, sujos, tímidos, que chegavam até a dar dó. e desses pés nasciam canelas finas e machucadas que se insistiam de pé naquela confusão. e daquelas canelas nasciam pernas trêmulas, tímidas e fracas e postos a essas perninhas amargas e inocentes se postavam duas mãozinhas, delicadas, que se agarravam uma a outra. vezenquando uma dessas mãozinhas se separavam e iam lentamente, no meio dos gritos e soluços encontrar os olhos. os olhos daqueles pezinhos negros, das canelinhas finas e das perninhas trêmulas. os olhos que choravam lágrimas secas. os olhos firmes, tristes, daquelas mãozinhas delicadas, aqueles olhos que deus, fitei tanto. aqueles olhos a encontrar os dedinhos incertos. que deus, que cor era aqueles olhos?
em algum momento de 2009.
mas me doía tanto, tanto, que nem mesmo sabia de onde vinha tamanha dor. apenas doía, fundo e agudo e me confundia. era tamanha dor que eu ia perdendo a noção das coisas. perdera até mesmo a noção de quem era e do que fazia, apenas ia fazendo seguindo um extinto que nascia sei lá de onde.eu era extinto. pura sobrevivência e com essa tamanha dor eu tinha apenas uma sobre-vida. eu era dor, aguda , confusa. e de toda aquela confusão, pessoas correndo de um lado para o outro, gritos, choros, soluços, e no meio daquela confusão vi uns pés assim juntinhos, parados, tímidos. vi uns pés negros, sujos, tímidos, que chegavam até a dar dó. e desses pés nasciam canelas finas e machucadas que se insistiam de pé naquela confusão. e daquelas canelas nasciam pernas trêmulas, tímidas e fracas e postos a essas perninhas amargas e inocentes se postavam duas mãozinhas, delicadas, que se agarravam uma a outra. vezenquando uma dessas mãozinhas se separavam e iam lentamente, no meio dos gritos e soluços encontrar os olhos. os olhos daqueles pezinhos negros, das canelinhas finas e das perninhas trêmulas. os olhos que choravam lágrimas secas. os olhos firmes, tristes, daquelas mãozinhas delicadas, aqueles olhos que deus, fitei tanto. aqueles olhos a encontrar os dedinhos incertos. que deus, que cor era aqueles olhos?
Desde que decidi te escrever, o sentimento dentro de mim se acalmou. Fiquei com medo de ter matado você. Mas se eu tiver te matado, você me perdoa? As veze é necessário. É que sou meio assim, de paixões voláteis. Mas talvez seja apenas uma estratégia de me proteger de mim mesma e da minha burrice. Para eu não deixar que minha paixão me faça cometer um ato desses bem burro. Não me deixe tropeçar em praça pública bem assim quando você passa. É uma espécie de aquietação. E o problema é não to conseguindo sonhar. Não consigo criar histórias. Como se a vida fosse cuidar disso por mim. Então eu deixo. Te guardo dentro. Sem te matar em mim. E na hora incerta que será a certa, te encontro num susto.
Vou escrever cartas de amor para você.
Você que sabe que eu existo, que outro dia mesmo trocou palavras e pequenos sorrisos. Você sabe que eu existo. Mas não sabe o quanto você existe em mim. Vou escrever para você. Porque vivo vidas e histórias pensadas sobre você. Sobre nós. Gosto de alimentar paixões platônicas.
Deve ser gostoso saber que alguém, viajando por aí, com todo o mundo a sua frente pense em você. Com tanto amor, desejo, que chega a dar frio na barriga. Feito paixão juvenil. Pois saiba que penso em você.
Meu último amor platônico eu matei. Não quero matar você. Queto concretizar você.
Sabe, eu to viajando. E desde que comecei a pensar em você assim, feito sonho bom, já estive em muitos lugares.
Agora to de frente pro mar, não sei como se chama essa praia. To usando 6 blusas e 3 calças. Mas o coração ta tão quentinho de pensar em você e nos verões que teremos. Me perdoe Floripa, mas quero um amor baiano com você. Pode até ser fluminense. Ou mineiro. Mas de interior. Feito a gente, interiorano. Do interior da parte de dentro. Onde te guardo.
Me apaixonei por você, só pelo fato de você existir. Dai conversei com você e vi que meu coração sentiu o que meus olhos já tinham constatado. Sou meio assim, ou bate ou não bate. E minhas melhores paixões bateram no se ver. Eu tinha um relógio de zebra. Você tinha um relógio azul. E é tão bom apaixonar. E ao mesmo tempo não esperar nada em troca. Aprendi, finalmente, a ser leve. Ou estou aprendendo. Leve, feito leve pluma muito leve, leve pousa.
Vem pousar do meu lado, vem?
Mas não precisa ser agora. Até porque não queria me apaixonar agora. Mas a vida prega peças. Me apaixonar justo agora que to querendo conquistar o mundo?
Lorena vai embora. Mas Lorena tem aprendido que quer voltar. Qual o lugar que você gostaria de estar? Me fiz essa pergunta outro dia.
Ontem, na verdade. Sai para comprar umas coisas, voltei para o hostel com vontade de fazer capuccino e me sentir em casa. Casa. Minha casa agora é BH.
A minha primeira grande viagem foi para fugir. Achei que essa agora fosse para encontrar. Mas dai, no intervalo dessas grandes viagens fiz muitas pequenas grandes outras, conheci amigos, amores e lugares. Não procurava nem fugia. Mas redescobri o significado de 'casa' e 'amigos'. Minha casa é Beagá.
E você, aonde está?
E você, aonde está?
Conhece Navegantes? É aqui que eu estou. Não por escolha. Mas indiretamente por escolha. Não achei nada de especial por aqui. Mas encontrei, por entre essas ruas e olhando o mar, estas palavras.
Quero cheirar seu cabelo.
Olha, eu não quero te assustar, mas se você deixar, a gente vai se divertir muito. Loucos, livres e leves.
Vou ali conhecer um pouco do mundo e volto.
Lorena foi embora, mas dessa vez volta.
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