epitáfio de um amor mal nascido.

entre a aceitação do fim prematuro
- do que poderia ter sido, não foi e é tudo -
e o frio na barriga da esperança do que já não é.
me tirem desse sufoco de mim mesma.

são joão

(...)mas só muito mais tarde, como um estranho flash-back premonitório, no meio duma noite de possessões incompreensíveis, procurando sem achar uma peça de Charlie Parker pela casa repleta de feitiços ineficientes, recomporia passo a passo aquela véspera de São João em que tinha sido permitido tê-lo inteiramente entre um blues amargo e um poema de vanguarda. Ou um doce blues iluminado e um soneto antigo. De qualquer forma, poderia tê-lo amado muito. E amar muito, quando é permitido, deveria modificar uma vida – reconheceu, compenetrado. Como uma ideologia, como uma geografia: palmilhar cada vez mais fundo todos os milímetros de outro corpo, e no território conquistado hastear uma bandeira. Como quando, olhando para baixo, a deusa se compadece e verte uma fugidia gota do néctar de sua ânfora sobre nossas cabeças. Mesmo que depois venha o tempo do sal, não do mel"

Carta à Laryssa

(...)A verdade é que somos um, para cada um que nos conhece. Não há nada além das nossas vontades. O universo é só este da minha vida pensanda. Quantos universos existem! E quais são reais? Não ha realidade, pois há tantas realidades quanto mentes-para-si-pensando. Há apenas vontades. Como essa vontade de lhe escrever agora sem nexo, de deixar que uma linguagem vulgar e incompleta diga por mim o que na verdade não pode ser verbalizado. Há sempre o erro da verbalização, o erro do tentar inutil da linguagem dubia de dizer aquilo que são formas, sentimentos e expressões, que são substantivos altamente abstratos, não verbos, locuções nem sequer adjetivos. Há sempre o erro das vontades, e a vontade sobre os erros. Somos talvez isso. A tentativa de alguma coisa qualquer. Os inúmeros projetos que deixamos inacabados. Sou um acúmulo de projetos inacabados, pois estou também inacabada. Em construção do meu eu. Em processo de mudança, reconhecimento e construção. Me sinto velha. Idiotamente velha. Sinto uma urgência enorme nas coisas. Há algo por vir e sinto que devo me preparar. Tenho que correr atrás do tempo perdido que gastei com coisas inúteis. Sinto necessidade de sugar toda e qualquer forma de conhecimento que tiver alcance. Ler livros que me façam pensar, escutar musicas, ver filmes e viver tudo isso. Experimentar. Quero provar de todos os gostos, de todos os lugares, de todas as bebidas, e quiçá de todas as drogas. Quero o acúmulo máximo de experiência. Mas não quero o vislumbre, o olhar idiota, inocente e vazio das pessoas vislumbradas. Quero a sabedoria certa, consciente. Há uma necessidade, uma urgência enorme de se preparar para algo que esta por vir. Me sinto velha e atrasada. Sinto que perdi muito de meu tempo com coisas inúteis, e agora cada segundo é precioso demais para usá-los com o que não me acrescente. É preciso ir em busca da cura. Da cura do pensamento. Tudo tem gerado em torno da intelectualidade. Tenho me tornado mais culta, lido e prestado mais atenção. Tenho me calado mais do que nunca, para absorver com toda sordidez tudo aquilo que me é falado, ensinado e mostrado. E tenho me sentido idiota quando falo, minha voz parece burra, inexperiênte e exitante, quando em minha vida vivida tenho tido mais certezas do que nunca, tenho sido mais firme que qualquer Hittler. É essa linguagem dubia e falha que traz à fala toda a exitação que não ocorre na mente, pois há apenas ideias, desprovidas de sintaxe. Há apenas a semântica, o significado real das coisas sem que elas precisem se organizar. Há algo acontecendo, e eu não posso supor o que é. Mas é bom estar participando disso tudo. Embora às vezes doa.

Amadurecer é amargo e envelhece.
Mas a velhice nem sempre é amarga, há sempre uma doçura em alguma coisa qualquer.

Lorena Borges

porque não se aprende logo seu lugar?

E o passado tem uma mania idiota de querer ser presente.
Quiçá futuro.


inócua

Ora vamos,
não seja tão idiota e inocente assim.

um poço de ingenuidade.
um poço idiota de insegurança ingênua.
você ainda me da uma pitada de sorriso.

Carta à Magno.

Me odeie,
não me importo.
apenas tenha algum sentimento por mim.

(para que tudo que tenhamos vivido tenha valido a pena.)
a vida borbulha
Desligar as emoções.
Ligar apenas os sentidos, sentimentos, sensações.

definição do problema

"Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheio de espinhos - e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressivo e tal. É preciso acabar com esse medo de ser tocado lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso."

(Caio Fernando Abreu)
menino do brilho nos olhos,

recebi suas palavras, duas mensagens mais precisamente.
tanta coisa lida e linda que me lembra você.
vou aos poucos vomitando palavras doces - vomitando, porque vai do meu mais íntimo - para dar gosto aos dias. doses homeopáticas para fazer bem.
ia te deixar outro escrito, mas vou trocar por um beijo de encontro e um abraço apertado, até sentir o mundo girar apenas para nós.

te espero com o coração pulsando forte!

sei que tudo tem um dedinho seu.

from ▲ chaos: Julho 2009:

fétido,

não queria ser cancêr, tumor ou aids. aqui nesta ruína com cheiro pútrido de comida esquecida deito minhas dores também pútridas. talvez este lugar abandonado me pertença, pertença à minha dor, esse fedor a adentrar minhas naridas sem que eu deixe. aqui parece esquecido, queria me esquecer. deixei muitas dores. quis eu ser flores e tenho sido apenas dores. dor aos pássaros e aos olhos claros. a beleza, e a tristeza, das coisas deve estar no fato de terminarem. paredes com buracos exatos. nunca fui exata na vida. geometria confusa das minhas ações, sentimentos, emoções. a paixão que gera a dor que deixo, em todos. em todos eles que idiotamente me conheceram, queria (...) deixar apenas saudades boas, ausências sentidas, falta apertada. o gesto de boca de peixe. a sina de trazer flores e deixar dores me confunde. evito o erro e cada vez erro mais. talvez um dia o próprio erro aprenda que só ele tem vez. flores e dores talvez porque seja eu intensa. só não sei se isso é bom ou ruim. a gente é melhor quando está morto.

formigável,
ser folha seca no mato.


amor urbano

"(...)e vou dizendo lento, como quem tem medo de quebrar a rija perfeição das coisas, e vou dizendo leve, então, no teu ouvido duro, na tua alma fria, e vou dizendo louco, e vou dizendo longo sem pausa — gosto muito de você gosto muito de você gosto muito de você."

(Caio Fernando Abreu)

coração pulsando forte

Fiquei feliz em poder sentir tua falta, - a falta mostra o quão necessitamos de algo/alguém. É assim o nosso ciclo. Eu te preciso. Perto, longe, tanto faz. Preciso saber que tu está bem, se respira, se comeu ou tomou banho - com o calor que está fazendo neste verão, tome pelo menos uns três ao dia, e pense em mim, estou com calor também. Me faz bem pensar nessas atividades corriqueiras, que supostamente você está fazendo. Ah, e eu estou te esperando, com meu vestido curto, óculos escuros grandes e meu coração pulsando forte, e te abraçar até sentir o mundo girar apenas para nós. É, eu gosto muito de ti."

(caio fernando abreu)

a verdade por de trás da porta

"Pomba, só porque uma pessoa morreu não quer dizer que a gente tem que deixar de gostar dela... Principalmente se era mil vezes melhor do que as pessoas que a gente conhece e que estão vivas e tudo."

O Apanhador no Campo de Centeio, J. D. Salinger

Harriett

"sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu deus como você me doía vezenquando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando olhando e pensando meu deus ah meus como você me dói vezenquando"

(caio fernando abreu)
Ai que delícia viver isso tudo!
Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos.
falácia.

Carta a Magno

(...) E ainda sim, ainda sim veja só o que nos tornamos. Dois estranhos um ao lado do outro, pelo medo do que se tem a dizer, pela responsabilidade das palavras que pode nos tirar desse nosso porto seguro que criamos para nos proteger de nós mesmo. De nós dois, proteger um do outro.
Tenho pensando em você mais do que de costume, há uma vontade de apenas te chamar para um café e conversar, conversar, conversar sobre tudo. Sobre todos aqueles hiatos de silêncio que carreguei por tanto tempo. Sobre filosofias ou filosofia nenhuma, sobre o nada, o tudo e o meio. Mas conversar é perigoso, podemos chegar a alguma conclusão, e bem sabemos qual é. E não queremos. Estamos, por hora, satisfeitos com o porto seguro que criamos.
Há o medo tremendo do que pode vir. O medo até mesmo das feridas abertas que insistem em não se cicatrizar.
"vou jogar óleo de linhaça em todas as minhas feridas abertas" (Caño, MAYRA. 2010)

Sempre fui egoísta, vivendo uma vida toda para dentro. Gastanto muito mais tempo nos meu pequenos projetos pessoais do que naquilo que talvez me faça ser quem preciso ser. Sempre fomos todos egoístas, procurando nos outros soluções e atitudes que satisfaçam as nossas lacunas. Amamos as outras pessoas não por quem são, mas pela maneira como ela nos faz sentir. Amamos as outras pessoas por aquilo que imaginamos e idealizamos que são. Fazendo deus de quem quiser, e monstro de quem menos nos interessar. Você mesmo por muitas vezes já foi monstro e deus, um deus-mosntro. Comecei a sentir saudade. Evitamo-nos, por mais que alguns pequenos encontros sejam inevitáveis. Por isso mesmo me proponho, às vezes, em provocar um. Te convidar para um passeio e para um sol. Consigo ver e sentir sua insegurança, o seu medo, o nervosismo em cada palavra silenciada. A verdade é que evito a conversa com medo de que confunda. Por agora, um nervosismo enorme atormenta minhas entranhas e o bambear das pernas me impede que eu corra. Ha um taquicardia doloroso. Não posso fujir, me entupir de alguma droga qualquer e sai por ai sem rumo. Minhas condições me obrigam a enfrentar a realidade, a encarar o problemas. Ou, no mínino, tentar minimiza-los, dar menos importância, fingir que não existem e assim continuar, nesse rio lento e curvo sem afluentes.

Já me diriam que a vida não é um sachê de chá, com fórmula pronta e sabores. Já me diriam tantas e tantas coisas.

Hoje pensei em escrever uma carta de suicídio. Começaria pedindo para que não levassem como suicidio em si, mas como desapego. Vivem dizendo para termos desapego. Mas desapego de que? É muito mais fácil pregar essa filosofia quando se tem do que se desapegar. Desapego de pobre é suicídio.
Quando pensei na carta me veio a responsabilidade, queria ter a genialidade de escrever apenas "fui como ervas e não me arrancaram". Mas, para a última coisa a ser escrita, espera-se algo grande, e não conseguiria cometer o ato até que algo, bem grandioso, fosse escrito por mim. Acabaria desistindo do suicidio por pura vaidade. Apenas para me tornar eterno no que vivo, escrevo e penso. Não conseguiria escrever a ultima carta, as ultimas linhas e as últimas palavras, pois ainda há muita coisa grandiosa que se passa e não consigo trasncrever em papel. Gravaria, se pudesse, o que penso. E penso em tanta coisa. Fiz mais Odisséias do que Eliadas, escrevi mais contos que todos, cantei mais musicas do que Buarque, fui mais artista do que qualquer Picasso. Quantos Césares fui, e mesmo assim, mesmo assim tudo se passa apenas nesse universo barato dessa vida pensada.

"Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada."

Vou escrever sobre isso. Um conto da pessoa que foi salva de seu suicidio por não conseguir terminar grandiosamente a carta, até que a morte, inocente pura e besta venha vestida de cetim.
Pura vaidade.

Mas não hoje.
Hoje quero a loucura dos pássaros e a sabedoria das árvores.

Quero um café e você, com seus olhos fugitivos, de companhia.
Essa vida é um drama barato.

Inteligência tem limites, burrice não.

A minha burrice ainda me permite continuar a insistir idiotamente no erro. No que vai me fuder ainda mais.
epifania.

Carta para mim, de Helena

"Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas"

(Caio Fernando Abreu)

creia

"Sabe bom velhinho. Eu sou poeta. Poeta é fraco, chora, tem medo de apanhar dos homens fortes, mas tem amor tanto amor recaldado que pode às vezes se suicidar por não achar lugar onde despejar seu amor. Velhinho! Creia no futuro."

(Jorge Mautner)

olhos fugitivos

A falta da sua saliva a umedecer o meu íntimo
O mordiscar de palavras ásperas
A lacuna do seu membro no interior de meu ventre
O escorrer do veneno no canto das palavras
A dor amarga do gostar inútil
O que deveria ser, não foi e é tudo.
"Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira: compreendo, sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe, berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo esses dois portos gelados da solidão é vera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o eterno do perecível, loucos."

Abria-me ao sol

"(...)Desabotoado, o coração quase de fora, abria-me ao sol e aos jatos d'água.
Entrai com vossas paixões! Galgai-me com vossos amores!
Doravante não sou mais dono de meu coração!
Nos demais - eu sei, qualquer um o sabe!
O coração tem domicílio no peito.
Comigo a anatomia ficou louca.
Sou todo coração - em todas as partes palpita."
(Miakovski)

The swee sweet life

Se a falta dói tanto em mim
imagine nessas outras tantas pessoas
o dedo sem esmalte
a boca de peixe
a transmutação confusa dos cabelos
o sorriso escondido

quero a sabedoria dos pássaros e das árvore
lidar com minha anatomia
que é toda coração.
inocência.
um poço idiota de inocência.

explicar a mim próprio

"São horas talvez de eu fazer o único esforço de eu olhar para a minha vida. Vejo-me no meio de um deserto imenso. Digo do que ontem literariamente fui, procuro explicar a mim próprio como cheguei aqui."

(Fernando Pessoa)

O Livro do Desassossego

"E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre; fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos; mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei. Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra, ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a narrativa que me não recordava ter-lhe feito. Sou dois, e ambos têm a distância – irmãos siameses que não estão pegados."

(Fernando Pessoa)
Tenho sido constituída de saudade doloridas.
Perder o que nunca tivemos.
"... no desalinho triste das minhas emoções confusas..."
Me sinto tão idiota ás vezes.

Ela não sabe sambar

"Pra mostrar: não sou a única
Mas ainda derramo o amor
Pelas paredes pelas janelas
Pelo chão"

1/2

Por hora não creio na felicidade a dois seja possível.
Somos um único universo particular em expansão.

E lá vai ela se jogar completamente outra vez. (ou não)
Há uma nata espessa de saudade.
"As vezes ouço passar o vento;
e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido"

(fernando pessoa)

Eis tudo.

"Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa."

(fernando pessoa)
"Tenho tanto sentimento
Que e' frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheco, ao medir-me,
Que tudo isso e' pensamento,
Que nao senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar."

(fernando pessoa)

almas livres

"O pássaro é livre na prisão do ar.
O espírito é livre na prisão do corpo.
Mas livre, bem livre é mesmo estar morto".

(Carlos Drummond de Andrade)
"Posso dizer: estou pronto
para me dar ao que vier.
Posso errar, mas não por medo
de me ser no que fizer (...)"

(Thiago de Mello)
é burrice chorar ate dar do vendo filme?
A morte nunca esteve passeando tão por perto.