é estranho. estar com você.
querer você.
e logo após desejar estar completamente sozinho

sumir do mundo que me conhece.


esperando que sintam saudade.

amor

Leve, como leve pluma muito leve, leve pousa. muito leve, leve pousa. na simples e suave coisa suave coisa nenhuma. sombra, silêncio ou espuma. nuvem azul que arrefece. que em me amadurece
sonhei que estávamos juntos
de novo e de novo e de novo
não me importava mais com ações
que sei que me machucariam
e estavamos de novo sendo um
no abraço tão abertado
na vontade tão sincera
que marcamos nosso casamento
para breve
para o começo do ano
o meu casamento com a única pessoa que já pensei ser possível.

dizem que sonhar com casamento é anuncio de morte.

aguardo.
o tempo é contato em cigarros.
acalme-se pequena,
cometa a overdose de si mesma.

o fim prematuro ou previsto
do que sempre foi apenas nessa minha vida pensada
agora era a hora de ser niilista
mas sigo acreditando
e agora, acreditar dói, pois é tardio
sou só. sou só de ti e sempre o soube
mas, infantilmente, tentei viver uma vida que não era minha
há alguma semelhança
(espero que a passagem prematura
seja a mais forte delas)
a visão molhada não se afoga agora
agora que me encontro no sossego de mim mesma
a certeza que sempre tive me foge
o niilismo que sempre carreguei
da lugar a uma crença destrutiva
atravesso sem olhar para os lados
ando sem cuidado
não haverá mais geléias, jornais ou palavras ao pé do ouvido
não haverá o que nunca de fato existiu
essa vida que não era minha e eu vivia
o que sempre ha é essa maldita esperança
a pesar o peito e a alma
e encharcar os sentidos e inundar
o que, com dor, tento ser
estou só, sou só
e sentindo ainda mais mais só
estando só de ti.

só.
o gosto do escondido
na boca da manhã.
já não sei o que é ou o
que poderia ser
já não sei o rumo que tomo
ou as coisas de que diz da minha vida
estou perdida em alguma rua da
minha infância
entre a parte do que não sou e
do que tento ser
entre o que fui e os outros me fizeram
entre o que penso ser e sei que
definitivamente não sou
a morada que não me reside
o ventre sempre vazio da solidão
que sou

das verdades do agora

"Parece-me que todas as nossas tristezas são momentos de tensão que consideramos paralisias, porque já não ouvimos viver nossos sentimentos que se nos tornaram estranhos; porque estamos a sós com o estrangeiro que nos veio visitar; porque, num relance, todo o sentimento familiar e habitual nos abandonou; porque nos encontramos no meio de uma transição onde não podemos permanecer. Eis por que a tristeza também passa: a novidade em nós, o acréscimo, entrou em nosso coração, penetrou no seu mais íntimo recanto. Nem está mais lá - já passou para o sangue. Não sabemos o que houve. Facilmente nos poderiam fazer crer que nada aconteceu; no entanto, ficamos transformados, como se transforma uma casa em que entra um hóspede. Não podemos dizer quem veio, talvez nunca o venhamos a saber, mas muitos sinais fazem crer que pe o futuro que entra em nós dessa maneira para se transformar em nós mesmos, muito antes de vir a acontecer. Por isso é tão importante estar só e atento quando se está triste. O momento, aparentemente anódino e imóvel, em que o nosso futuro entra em nós, está muito mais próximo da vida do que aquele outro, sonoro e acidenta, em que ele nos sobrevém como se chegasse de fora. Quanto mais estivermos silenciosos, pacientes e entregues à nossa mágoa, tanto mais profunda e impertubável entra a novidade em nós, tanto melhor a conquistamos, tanto mais ela se tornará nosso destino e quanto, num dia ulterior, vier a "acontecer" - isto é, quando sair de nós para se chegar a outros - . sentir-la-emos familiar e próxima. Deve ser assim. É preciso - e a nossa evikução, aos poucos, há de processar-se nesse sentido 0 que nada de estranho nos possa advir, senão o que nos pertence desde há muito. Já se modificaram muitas noções relativas ao movimento; há de se reconhecer, aos poucos, que aquilo a que chamamos destino sai de dentro dos homens em vez de entrar neles. Muitas pessoas não percebem o que delas saiu, porque não absorveram o seu destino enquanto o viviam, nem o transformaram em si mesmas. Afigurou-se-lhes tão estanho que, em seu confuso espanto, julgavam-no saído delas justamente naquele momento, e juravam nunca antes ter encontrado em si algo parecido. Como os homens durante muito tempo de iludiram acerca do movimento do sol, assim se anganam ainda em relação ao movimento do que está para vir. O futuro está firme, cara sr. Kappus, nós é que nos movimentamos no espaço infinito.
Como, pois, não seria difícil a nossa sorte?"

Rainer Maria Rilke
em Cartas a um jovem Poeta
quero o sangue do filho que não veio.
o esmiuçar do ventre que não produz.
quero a dor do que não é
do que não muda
do que não transforma
quero a exatidão do meu corpo em todos os meses
quero o vazio do meu ventre
preenchido pela dor aguda do meu peito
quero a infância tardia que não virá nunca
quero a imaturidade dos meus gestos
e a responsabilidade em aceita-los
quero a idade não avançada
o cabelo branco que não virá
a dor que vem
com o filho que não vem
quero o vazio

já estou cheia de tudo.

e juntos,
acreditar outra vez.
então,
de todo amor não terminado
seremos pagos
em inumeráveis noites de estrelas.
(maiakovski)

universo infinito

"E percebo que não importa onde eu esteja, seja em um quartinho repleto de idéias ou nesse universo infinito de estrelas e montanhas, tudo está na minha mente. Não há necessidade de solidão. Por isso, ame a vida como ela é e não forme idéias preconcebidas de espécie alguma em sua mente".

Jean-Louis Lebris de Kerouac

serendiptidade.

é confuso. estou perdendo a razão. é difícil distinguir o que é real do que não é. a realidade tem se apresentado cada vez mais ilusória e as dúvidas me consomem. não me preocupa a morte. partir parece cada vez mais fácil. não há barreiras entre o real e as outras esferas. me sinto flutuando em um lugar sem tempo nem espaço. o tempo também não parece real. me confunde. olhar de inseto a ver o mundo correr devagar, olhar de tartaruga a ver o mundo correr depressa. conheci pessoas a frente de seu tempo e me sinto cada vez mais atrasada. cada vez mais estou flutuando mais e mais pesadamente nesse vácuo de tempo, lugar e realidade. meus sonhos tem sido cada vez mais lúcidos, e minhas realidades cada vez mais ilusórias. já não sei distinguir vontades próprias dessa vontade de que tudo move. temos realmente que respeitar o fluxo? mas não tem sido fácil entendê-lo. não sei se fico ou se vou. não consigo mais ver os sinais, me perdi dentro da minha realidade. é confuso. tenho desenhado. nunca o fiz antes na vida. mas agora há a vontade e uma certa habilidade débil. há algo acontecendo e eu não posso supor o que é. algo grande e estou participando. sinto que é preciso correr atrás do tempo perdido e me preparar para o que está por vir. real ou não. experimentar. viver. acumular experiências. arriscar. a vontade de começar novos caminhos é cada vez mais forte. é confuso. tenho sido eu ou tenho sido o molde do que me fizeram? conheci pessoas a frente do seu tempo. parece não haver necessidade de não se preocupar com a realidade, por mais que doa. nada parece real. acho que não é. debilidade inútil de meus escritos. relações confusas e cheias de lacunas. somos seres solitários em expansão. não há nada além das nossas próprias vontades. o universo é esse que se passa dentro de minha vida pensada. o que resta? minha vida pensada não é real. então o que resta é essa não realidade das coisas. são as coisas como vejo, como desejo. e se desejar bem forte eu consigo. toda vida é sofrimento mas é possível alcançar a supressão do sofrimento. o budismo me ajuda. e quando me falta ainda há o niilismo ou outro filosofia qualquer. não há nada além da nossa própria mente. o que sou não tem medida. pois não se posse calcular o seu tamanho. fujo de mim mesma como quem foje da própria realidade. um dia eu me encontro.

is this real life?

dor de parto
do que ainda não sou
confusão linear do que
ainda não é
as janelas fechadas para a rua da minha infância
já não sei se lembro ou se invento
já não sei se sou ou imagino
ofusca-me a realidade dessa vida não vivida

vomito de mim

ela tem olhar de binóculo, eu tenho o olhar perdido.
envelheci 7 anos nas últimas 6 semanas.
um peso comprime no peito,
um nó se forma na garganta.
o peito,
lugar onde o coração está é onde parece mais doer.
o peso do fruto que não carrego no ventre comprime meu peito para que se deforme.
retire a forma de que já é.
diria que é preciso aprender tudo de novo.
aprender a amar, re-amar.
remar.
afogo-me nas lágrimas que já não produzo,
embora haja vontade.
ela tem binóculos agradabiliss, eu tenho a angustia estampada na cara.
a dor do que é, do que poderia ter sido, não foi

e é tudo.

Il ya toujours quelque chose d'absent qui me tourmente

Há algo que ainda machuca, que dói.
Uma ânsia de vômito qualquer.
Um embrulhar de estômago no canto do íntimo.
Dor, amargura, angustia profunda. dilacerante qualquer.
os vermes dançam no meu ventre.
ventre este que não nasce um novo coração.
há outro ventre com um coração por dentro.
quisera eu que não. quisera eu que inicio de maio não doesse.
os caminhos não trilhados (Frost sabe do que falo)
profusão confusa. angustia dolorida.
meu ventre podre, que não poderia dar fruto
pois coração não nasce aonde há vermes
há sempre alguma coisa ausente que atormenta.
namoradinha de Rodin me disse uma vez.
e quem há de entender?
nem eu mesma me entendo, e nem é para entender
há só de engulir, engulir, engulir,
na esperança de que se digira algo de bom,
a minha própria merda do que não sou
o que não fui é que me dói
os telefonemas me machucam
o apaguei da minha lista, não atendo mais certos números
há uma vontade de saber do futuro
espero que eu consiga
que consiga conviver com o fruto que não é meu
que não me doa o existir dos outros
não-poema sem poesia
não há doçura nessa amargura que sinto
o frio na barriga que me acompanha em cada pensamento
o telefone que toca, e a pessoa errada do outro lado da linha
que o início de maio não me doa.
não mais do que ainda me dói agora.

férias.

do por enquanto.

"Cantos de alívio pelo que se foi,
cantos de espera pelo o que há de vir."
"Creia no futuro"
é o que já dizia Jorge Mautner.
estou crendo, estou sendo.
dor, mágoa, rancor.
tudo acumulado em medidas desmedidas.

déjà vu

A esperança pesa.

só a infância presente existe

"Ouvir rock, ver a chuva, beijar uns lábios, deitar com uma ou outra carne na cama e sentir o sexo. Depois de horas e horas de pensamento e desistência e ridículo e paradoxos e uma vontade louca de viver! Mas o sono me puxando poderosamente. Então eu ouço Rock e olho a chuva e penso no sexo. Depois tudo se mistura porque na verdade tudo existe misturado: o sexo, o Rock, a chuva e então eu durmo. Eu durmo e durmo e sonho em ritmo de rock e vejo a chuva no sonho e o sexo se sobressaindo em todos os lugares. Sonhos agitados nos quais existe algo que eu esqueci de citar. Algo que balança que nem uma bandeirinha vermelha em meio à chuva, ao sexo e ao Rock. É a infância. Será que o Rock, a chuva e o sexo não passam de infância e que só a infância presente existia? Só a infância presente existe! Lembre-se disto: só a infância presente existe!"

(Jorge Mautner)
tenho saudade
sob aparência de medo e remorso.

carta a Helena

Culparia o álcool, a bohemia, a cidade grande, as drogas, as farras, os livros, os escritos, os Caios Abreus, os discos. Culparia o de mais fácil e acessível para tirar a culpa que é inteiramente nossa e de nossas escolhas. Já não somos adolescentes, embora às vezes imaturas. Já não somos inocentes, fomos machucadas pela vida e pelas responsabilidades. Ainda assim temos que manter o brilho nos olhos. Sou o que você me fez ser. Você me cicatrizou e marcou, a cicatriz-tatuagem maior e mais profunda que tenho. Penso em você sempre, todos os dias com tanto amor que até me dói vezenquando. A vida nos levou para caminhos tão distintos. Te queria aqui comigo, conversando sobre nada, sobre tudo, sobre o que somos e bebendo um vinho barato, tão barato quanto o que ainda somos. Você sabe exatamente como eu agiria. Como seria capaz de numa loucura qualquer juntar as minhas coisas e partir, por mais que doa, apenas pela vontade e curiosidade de saber o que tem por aí. É o momento das experimentações. Saber, provar, conhecer, aproveitar.

(apenas uma página para um dia - cada medida desmedida)

e me veio à cabeça

Mantenho na força fina do que fabrico
aquilo que já não leio.

matheus disse:

Já ouviu a lenda do prometeu acorrentado?
Os humanos no principio tinham 4 braços e 4 pernas e eram hemafroditas e gostavam muito de Prometeu, um deus do Olimpo que era mais querido que Zeus. Um dia, querendo retribuir o carinho, decidiu dar aos humanos o fogo, de presente, Zeus com ciumes e bem bravo de deixar os humanos com uma coisa tão poderosa e preciosa, acorrentou prometeu num penhasco onde todo dia vinha uma águia e devorava seu fígado que regenerava pra ser comido no dia seguinte, eternamente. Os humanos ele castigou de outro modo: separou os seres perfeitos que eram em dois, homem e mulher, e os condenou a procurar sua outra metade pra se sentir perfeito

Amor e essas coisas todas é uma condenação.

do caos

organizo meus papéis,
minhas gavetas,
meu quarto,
como quem tenta organizar
a confusão de si mesmo.

navegar é preciso

"carrego coisas pesadas e quase não mais flutuo. há tempos, navego sem encontrar portos pelo caminho. lugares onde se possa parar. descarregar as cargas amontoadas. atirar o que é sobra ao chão do cais. navego enquanto posso, sem conseguir me livrar da bagagem. das pedras dentro das malas. sabendo que a mudança foi com a embarcação e não com o mar. navego, sabendo que afundar é questão de tempo."

(Eduardo Baszczyn)

como diriam: mira na fé e rema.

não é fácil assim, mas...

"Daqui a pouco tudo vai ser passado mesmo - deixa o vento soprar, let it be, fique pelo menos com o gostinho de ter brilhado um pouco"

(Caio F. Abreu)
E agora, José?

do agora.

"Tenho saudade de mim mesmo,
saudade sob aparência de remorso,
de tanto que não fui, a sós, a esmo,
e de minha alta ausência em meu redor."

(Drummond)

O Livro do Desassossego

Abri o livro aleatoriamente,
e a aleatoriedade me deu isto:

"Uma brisa leve, uma conversa sem intuito nem propósito, um púcaro de vinho, flores, em isso, e em não mais do que isso, põe o sábio persa o seu desejo máximo. O amor agita e cansa, a ação dispersa e falha, ninguém sabe saber e pensar embacia tudo. Mais vale pois cessar em nós de desejar ou de esperar, de ter a pretensão fútil de explicar o mundo, ou o propósito estulto de o emendar ou governar. Tudo é nada, ou, como se diz na Antologia Grega, “tudo vem da sem-razão”, e é um grego, e portanto um racional, que o diz."

palavras de minha boca.

"Porque não suportava mais todas aquelas coisas por dentro e ainda por cima o quase-amor, a confusão e o medo puro."

(Caio Fernando Abreu)

do agora.

"ando angustiada demais, meu amigo, palavrinha antiga essa, a velha angústia, saco, mas ando, ando, mais de duas décadas de convívio cotidiano comigo mesma, tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, ah não me venha com essas histórias de “atraiçoamos-todos-os-nos-sos-ideais”, eu nunca tive porra de ideal nenhum, eu só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista capitalista, eu só queria era ser feliz, cara, magra, burra, alienada e completamente feliz."

das verdades.

"(...)às vezes a gente vai-se fechando dentro da própria cabeça, e tudo começa a parecer muito mais difícil do que realmente é. eu acho que a gente não deve perder a curiosidade pelas coisas: há muitos lugares para serem vistos, muitas pessoas para serem conhecidas."

(caio fernando abreu)

epitáfio de um amor mal nascido.

entre a aceitação do fim prematuro
- do que poderia ter sido, não foi e é tudo -
e o frio na barriga da esperança do que já não é.
me tirem desse sufoco de mim mesma.

são joão

(...)mas só muito mais tarde, como um estranho flash-back premonitório, no meio duma noite de possessões incompreensíveis, procurando sem achar uma peça de Charlie Parker pela casa repleta de feitiços ineficientes, recomporia passo a passo aquela véspera de São João em que tinha sido permitido tê-lo inteiramente entre um blues amargo e um poema de vanguarda. Ou um doce blues iluminado e um soneto antigo. De qualquer forma, poderia tê-lo amado muito. E amar muito, quando é permitido, deveria modificar uma vida – reconheceu, compenetrado. Como uma ideologia, como uma geografia: palmilhar cada vez mais fundo todos os milímetros de outro corpo, e no território conquistado hastear uma bandeira. Como quando, olhando para baixo, a deusa se compadece e verte uma fugidia gota do néctar de sua ânfora sobre nossas cabeças. Mesmo que depois venha o tempo do sal, não do mel"

Carta à Laryssa

(...)A verdade é que somos um, para cada um que nos conhece. Não há nada além das nossas vontades. O universo é só este da minha vida pensanda. Quantos universos existem! E quais são reais? Não ha realidade, pois há tantas realidades quanto mentes-para-si-pensando. Há apenas vontades. Como essa vontade de lhe escrever agora sem nexo, de deixar que uma linguagem vulgar e incompleta diga por mim o que na verdade não pode ser verbalizado. Há sempre o erro da verbalização, o erro do tentar inutil da linguagem dubia de dizer aquilo que são formas, sentimentos e expressões, que são substantivos altamente abstratos, não verbos, locuções nem sequer adjetivos. Há sempre o erro das vontades, e a vontade sobre os erros. Somos talvez isso. A tentativa de alguma coisa qualquer. Os inúmeros projetos que deixamos inacabados. Sou um acúmulo de projetos inacabados, pois estou também inacabada. Em construção do meu eu. Em processo de mudança, reconhecimento e construção. Me sinto velha. Idiotamente velha. Sinto uma urgência enorme nas coisas. Há algo por vir e sinto que devo me preparar. Tenho que correr atrás do tempo perdido que gastei com coisas inúteis. Sinto necessidade de sugar toda e qualquer forma de conhecimento que tiver alcance. Ler livros que me façam pensar, escutar musicas, ver filmes e viver tudo isso. Experimentar. Quero provar de todos os gostos, de todos os lugares, de todas as bebidas, e quiçá de todas as drogas. Quero o acúmulo máximo de experiência. Mas não quero o vislumbre, o olhar idiota, inocente e vazio das pessoas vislumbradas. Quero a sabedoria certa, consciente. Há uma necessidade, uma urgência enorme de se preparar para algo que esta por vir. Me sinto velha e atrasada. Sinto que perdi muito de meu tempo com coisas inúteis, e agora cada segundo é precioso demais para usá-los com o que não me acrescente. É preciso ir em busca da cura. Da cura do pensamento. Tudo tem gerado em torno da intelectualidade. Tenho me tornado mais culta, lido e prestado mais atenção. Tenho me calado mais do que nunca, para absorver com toda sordidez tudo aquilo que me é falado, ensinado e mostrado. E tenho me sentido idiota quando falo, minha voz parece burra, inexperiênte e exitante, quando em minha vida vivida tenho tido mais certezas do que nunca, tenho sido mais firme que qualquer Hittler. É essa linguagem dubia e falha que traz à fala toda a exitação que não ocorre na mente, pois há apenas ideias, desprovidas de sintaxe. Há apenas a semântica, o significado real das coisas sem que elas precisem se organizar. Há algo acontecendo, e eu não posso supor o que é. Mas é bom estar participando disso tudo. Embora às vezes doa.

Amadurecer é amargo e envelhece.
Mas a velhice nem sempre é amarga, há sempre uma doçura em alguma coisa qualquer.

Lorena Borges

porque não se aprende logo seu lugar?

E o passado tem uma mania idiota de querer ser presente.
Quiçá futuro.


inócua

Ora vamos,
não seja tão idiota e inocente assim.

um poço de ingenuidade.
um poço idiota de insegurança ingênua.
você ainda me da uma pitada de sorriso.

Carta à Magno.

Me odeie,
não me importo.
apenas tenha algum sentimento por mim.

(para que tudo que tenhamos vivido tenha valido a pena.)
a vida borbulha
Desligar as emoções.
Ligar apenas os sentidos, sentimentos, sensações.

definição do problema

"Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheio de espinhos - e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressivo e tal. É preciso acabar com esse medo de ser tocado lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso."

(Caio Fernando Abreu)
menino do brilho nos olhos,

recebi suas palavras, duas mensagens mais precisamente.
tanta coisa lida e linda que me lembra você.
vou aos poucos vomitando palavras doces - vomitando, porque vai do meu mais íntimo - para dar gosto aos dias. doses homeopáticas para fazer bem.
ia te deixar outro escrito, mas vou trocar por um beijo de encontro e um abraço apertado, até sentir o mundo girar apenas para nós.

te espero com o coração pulsando forte!

sei que tudo tem um dedinho seu.

from ▲ chaos: Julho 2009:

fétido,

não queria ser cancêr, tumor ou aids. aqui nesta ruína com cheiro pútrido de comida esquecida deito minhas dores também pútridas. talvez este lugar abandonado me pertença, pertença à minha dor, esse fedor a adentrar minhas naridas sem que eu deixe. aqui parece esquecido, queria me esquecer. deixei muitas dores. quis eu ser flores e tenho sido apenas dores. dor aos pássaros e aos olhos claros. a beleza, e a tristeza, das coisas deve estar no fato de terminarem. paredes com buracos exatos. nunca fui exata na vida. geometria confusa das minhas ações, sentimentos, emoções. a paixão que gera a dor que deixo, em todos. em todos eles que idiotamente me conheceram, queria (...) deixar apenas saudades boas, ausências sentidas, falta apertada. o gesto de boca de peixe. a sina de trazer flores e deixar dores me confunde. evito o erro e cada vez erro mais. talvez um dia o próprio erro aprenda que só ele tem vez. flores e dores talvez porque seja eu intensa. só não sei se isso é bom ou ruim. a gente é melhor quando está morto.

formigável,
ser folha seca no mato.